Pessoas removem escombros no local de um prédio danificado após terremoto em Pereira, na Colômbia em 11 de agosto de 2026 • Juan David Duque/Reuters

O número de mortos pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) chegou a 265, segundo atualização divulgada nesta quarta-feira (12) pelo presidente Abelardo de la Espriella. Outras 496 pessoas continuam desaparecidas.

“Nossos esforços estão concentrados nos desaparecidos”, afirmou o presidente durante uma coletiva de imprensa.

O forte tremor atingiu principalmente regiões do oeste do país e provocou desabamentos e danos em diferentes cidades. A dimensão da tragédia também levou especialistas a analisar os fatores geológicos e estruturais que contribuíram para a quantidade de vítimas.

Movimento das placas tectônicas

A Colômbia está localizada em uma região de encontro entre diferentes placas tectônicas, onde o movimento constante provoca acúmulo de energia no interior da crosta terrestre.

Segundo o geólogo Germán Prieto, da Universidade Nacional da Colômbia, o terremoto esteve relacionado ao movimento da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana, na região andina.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos estimou o tremor em magnitude 7,4, com epicentro a aproximadamente 100 quilômetros de profundidade.

A profundidade também ajuda a explicar as características do terremoto. Tremores mais profundos podem apresentar padrões diferentes de propagação em comparação com eventos próximos à superfície.

Réplicas aumentam os riscos

Outro fator de preocupação são as réplicas, que podem provocar novos desabamentos em estruturas já danificadas.

Até a tarde de terça-feira (11), mais de 100 réplicas haviam sido registradas na Colômbia.

Especialistas também destacam que o tipo de movimento tectônico pode influenciar os impactos sobre construções. Os terremotos registrados recentemente na Colômbia e na Venezuela envolveram movimentos horizontais da crosta terrestre, associados a falhas transformantes.

Infraestrutura pode agravar impactos

Além das características geológicas, qualidade das construções, materiais utilizados e cumprimento das normas de engenharia são fatores importantes para determinar o nível de destruição causado por um terremoto.

A Colômbia começou a desenvolver normas específicas para construções resistentes a tremores na década de 1970. O primeiro código nacional foi adotado em 1984, após um terremoto devastador em Popayán, e as regras atuais foram estabelecidas em 2010.

Para especialistas, a análise dos danos provocados pelo terremoto desta semana poderá contribuir para o aprimoramento das normas de construção e para a redução de riscos em futuros eventos.

Planejamento e monitoramento

A sismóloga Suzan van der Lee, da Universidade Northwestern, destaca que mesmo países com histórico de terremotos não conseguem prever todas as características que um novo evento poderá apresentar.

Por isso, especialistas defendem o fortalecimento das redes de monitoramento sísmico e do compartilhamento internacional de dados.

O objetivo é ampliar a capacidade de resposta e compreender melhor os riscos em regiões localizadas próximas aos limites das placas tectônicas.

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