Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho provocaram prejuízos diretos estimados em US$ 19,6 bilhões, mas o custo total da reconstrução pode alcançar cerca de US$ 50 bilhões, segundo uma avaliação preliminar divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Banco Mundial. O desastre, considerado o mais letal no país desde 1812, deixou aproximadamente 5 mil mortos e causou destruição em larga escala nas regiões do norte venezuelano, incluindo a capital, Caracas.

De acordo com o governo da Venezuela, quase 17 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 18 mil permanecem desalojadas após os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5. Além das perdas humanas, milhares de imóveis, estradas, pontes e edifícios públicos sofreram danos severos.

O Banco Mundial destacou que a tragédia ocorreu em um contexto de elevada vulnerabilidade social. Atualmente, mais de 76% da população venezuelana vive em situação de pobreza e cerca de 7,9 milhões de pessoas deixaram o país desde 2015, intensificando os desafios para a recuperação.

Segundo a vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Susana Cordeiro Guerra, a dimensão dos prejuízos exige uma resposta coordenada entre autoridades nacionais e organismos internacionais.

Ela alertou que, sem investimentos rápidos e suficientes, os impactos sobre a economia e as condições de vida da população poderão se prolongar por muitos anos, comprometendo a recuperação do país.

A estimativa foi elaborada por meio da metodologia Rapid Global Damage Estimate (GRADE), que utiliza modelagem sísmica, dados geológicos, imagens de satélite e informações fornecidas pelo governo venezuelano, agências humanitárias e equipes que atuam nas áreas afetadas.

O levantamento considera apenas os danos físicos diretos. Não estão incluídos os custos para reconstrução com padrões mais modernos e resistentes a terremotos, nem despesas com remoção de escombros ou melhorias estruturais.

Segundo o Banco Mundial, esses gastos adicionais podem elevar o valor total da reconstrução para algo entre duas e duas vezes e meia o custo inicial dos danos, aproximando a conta dos US$ 50 bilhões.

A avaliação também não contabiliza as perdas econômicas provocadas pela paralisação das atividades produtivas. A instituição projeta uma redução de aproximadamente 1% na oferta de mão de obra ainda este ano em razão dos efeitos do desastre.

Os dados mostram que 47% dos prejuízos ocorreram em imóveis residenciais, 27% afetaram a infraestrutura, como rodovias, pontes e redes de serviços públicos, enquanto os 26% restantes envolveram edifícios não residenciais, incluindo escolas, hospitais e instalações comerciais.

O Banco Mundial informou que trabalha em conjunto com o governo venezuelano, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) na elaboração de uma avaliação mais ampla sobre os custos de recuperação e reconstrução. Esse tipo de estudo costuma levar vários meses para ser concluído.

A instituição também advertiu que a velocidade da reconstrução será determinante para o futuro da economia venezuelana. Sem um aumento significativo dos investimentos públicos e privados, o Produto Interno Bruto (PIB) e a capacidade produtiva do país poderão permanecer abaixo dos níveis anteriores ao terremoto até pelo menos 2036.

Embora novos financiamentos internacionais possam elevar o já elevado nível de endividamento da Venezuela, o Banco Mundial avalia que esses recursos também podem impulsionar a retomada da atividade econômica, fortalecendo gradualmente a capacidade fiscal do país no longo prazo.

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