Embarcações no Estreito de Ormuz 29 de abril de 2026 • REUTERS/Stringer

O número de navios-tanque que atravessam o Estreito de Ormuz caiu para o menor patamar dos últimos dois meses, segundo dados de transporte marítimo divulgados nesta segunda-feira (13). A redução ocorre em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, além de recentes ataques a embarcações que elevaram os riscos para a navegação na região.

De acordo com informações da plataforma de inteligência marítima Kpler, o fluxo de petroleiros de petróleo e gás atingiu o nível mais baixo desde 25 de maio. Empresas do setor afirmam que muitas embarcações passaram a desligar seus sistemas públicos de rastreamento (AIS), dificultando a identificação do número real de navios em trânsito pelo estreito.

A corretora marítima Gibson alertou que um eventual fechamento prolongado do Estreito de Ormuz agravaria significativamente a oferta global de petróleo.

“Com os estoques globais sendo rapidamente reduzidos nos últimos meses, o cenário aponta para uma oferta mais restrita, preços mais elevados e um risco significativo para o mercado de navios-tanque”, destacou a empresa em relatório.

Embarcações reduzem circulação

Entre as poucas embarcações identificadas navegando pela região estava o petroleiro Sea Faith, que seguia em direção ao porto de Sohar, em Omã. Outro navio, o Niki, de bandeira iraniana, também foi registrado deixando o território iraniano em direção ao estreito.

No domingo (12), o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), coordenado pela Marinha dos Estados Unidos, informou que o tráfego comercial permanecia reduzido devido à cautela das empresas após os ataques registrados nos últimos dias.

Imagens de satélite analisadas pela agência Reuters também identificaram pelo menos três operações de transferência de petróleo entre navios (STS) no Golfo de Omã, fora do Estreito de Ormuz. A estratégia permite que parte da carga seja transferida para outras embarcações, reduzindo a necessidade de cruzar a região considerada de maior risco.

Irã intercepta embarcações

A Guarda Revolucionária do Irã informou nesta segunda-feira que interceptou dois navios no Estreito de Ormuz durante a noite anterior e desativou os sistemas eletrônicos das embarcações. O governo iraniano, no entanto, não revelou quais navios foram abordados.

Além disso, um navio porta-contêineres sofreu danos após ser atingido por um projétil de origem ainda desconhecida. O impacto provocou um incêndio na casa de máquinas da embarcação, segundo informações do JMIC.

Fluxo segue abaixo do normal

Dados da Kpler mostram que apenas seis embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz no domingo (12), o menor volume registrado nas últimas cinco semanas.

Entre os navios que deixaram a região estavam o Humanity, um superpetroleiro do tipo VLCC transportando aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo iraniano, e o Capetan Andreas, carregado com cerca de 500 mil barris de derivados de petróleo do Kuwait.

Ao mesmo tempo, apenas três petroleiros vazios entraram no Golfo para carregar petróleo, enquanto nenhum navio de transporte de gás natural liquefeito (GNL) foi identificado atravessando o estreito durante o fim de semana.

Especialistas avaliam que a continuidade dos confrontos e o aumento da insegurança podem comprometer ainda mais o fluxo de petróleo por uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, elevando os preços da commodity e aumentando os riscos para a economia global.

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