O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento em Contagem (MG) • A Itatiaia

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) avalia que recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) têm impacto no cenário político em um momento em que o parlamentar começa a apresentar sinais de recuperação nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial.

Nos bastidores, aliados do senador afirmam que a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que proibiu Flávio de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, deve ser analisada em conjunto com outra medida tomada na última semana pelo ministro Flávio Dino, que determinou o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no âmbito de uma investigação sobre a destinação de emendas parlamentares.

De acordo com integrantes da campanha, as decisões judiciais ocorreram em um contexto em que levantamentos eleitorais passaram a indicar redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenários de segundo turno.

Pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (13), mostra Lula com 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro, reduzindo a diferença para três pontos percentuais. No levantamento anterior, realizado após a repercussão do chamado caso Dark Horse, a distância era de seis pontos, com Lula marcando 49% e Flávio 43%.

Segundo fontes ligadas à campanha, pesquisas internas indicariam um cenário de empate técnico, com Flávio aparecendo numericamente um ponto percentual à frente do presidente. No entanto, pesquisadores ouvidos pela CNN afirmam que os levantamentos públicos continuam apontando vantagem para Lula, variando entre três e seis pontos percentuais nos cenários simulados de segundo turno.

Apesar disso, aliados consideram que os dados representam o primeiro sinal consistente de recuperação do senador após cerca de dois meses marcados por desgastes políticos.

A estratégia da campanha atribui essa melhora ao aumento da exposição de Flávio em temas considerados prioritários para o eleitorado, especialmente a segurança pública. Em junho, o senador lançou o plano “Brasil sem Medo”, voltado ao combate à criminalidade. A expectativa é de que os próximos passos da campanha priorizem propostas relacionadas ao custo de vida e intensifiquem as críticas ao governo federal.

Nos bastidores, a equipe também cita quatro episódios que marcaram o período recente: o caso Dark Horse, envolvendo um pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro; a divulgação de pesquisa da AtlasIntel, que apontou queda nas intenções de voto de Flávio após o episódio e que posteriormente foi contestada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); declarações consideradas misóginas do aliado Paulo Figueiredo; e um vídeo publicado por Michelle Bolsonaro, no qual criticava a condução da campanha antes de anunciar sua saída do PL.

Na avaliação da campanha, mesmo diante da sequência de episódios negativos, Lula não conseguiu ampliar sua vantagem eleitoral. Aliados entendem ainda que a crise envolvendo Michelle Bolsonaro foi superada após a divulgação de uma carta assinada por Jair Bolsonaro e lida por Flávio no último sábado, na qual o ex-presidente defende a união da direita em torno da candidatura do filho.

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