
O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foi drasticamente reduzido nesta quinta-feira (9), em meio ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã. Segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Kpler, apenas dois petroleiros haviam atravessado a passagem nas primeiras horas do dia, enquanto empresas de navegação relataram que diversas embarcações passaram a desligar seus sistemas públicos de rastreamento por questões de segurança.
A redução do fluxo ocorre após uma nova troca de ataques entre Washington e Teerã, aumentando as preocupações com a segurança em uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo. A instabilidade também reforça o temor de novos impactos sobre o abastecimento global de energia e sobre os preços internacionais da commodity.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que os bombardeios norte-americanos e a interferência dos Estados Unidos no redirecionamento do tráfego marítimo comprometeram o processo de reabertura gradual do Estreito de Ormuz.
Segundo a corporação, nas últimas duas semanas o movimento de embarcações supervisionadas pelo Irã havia se recuperado para cerca de 50% do nível registrado antes do início do conflito. Com a nova escalada militar, no entanto, o processo voltou a sofrer interrupções.
A Guarda Revolucionária também advertiu que qualquer nova intervenção militar dos Estados Unidos provocará uma “resposta devastadora”. A declaração foi divulgada após os dois países voltarem a trocar ataques durante a noite de quarta-feira (8) e a madrugada desta quinta-feira.
Antes do início do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz respondia por aproximadamente 20% do petróleo comercializado mundialmente. Apesar de ser uma via marítima internacional, o Irã exerce forte influência sobre a região e, durante o conflito, restringiu a circulação de embarcações como forma de pressionar as negociações diplomáticas.
Nas últimas semanas, com a vigência de um memorando de entendimento entre os países, o fluxo de navios havia apresentado recuperação parcial, alcançando uma média de aproximadamente 40 embarcações por dia. Ainda assim, o número permanecia muito abaixo dos níveis anteriores à guerra, quando entre 125 e 140 navios cruzavam diariamente o estreito.
A atual escalada teve início após ataques contra três navios comerciais na região, episódio atribuído pelos Estados Unidos ao governo iraniano. Em resposta, Washington realizou uma nova ofensiva militar contra alvos no Irã, enquanto o presidente Donald Trump declarou que o cessar-fogo estava encerrado.
O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) informou que os bombardeios tiveram como objetivo reduzir a capacidade militar iraniana de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz. Segundo os militares norte-americanos, cerca de 90 alvos militares, incluindo sistemas de defesa, radares, depósitos de mísseis e infraestrutura logística, foram atingidos.
Em nota, o Centcom afirmou que os ataques foram realizados para responsabilizar o Irã pelas recentes ações contra navios comerciais e tripulações civis que utilizam a rota marítima internacional.
O governo iraniano, por sua vez, negou envolvimento nos ataques às embarcações comerciais e acusou Washington de utilizar os incidentes como justificativa para ampliar as operações militares. Teerã afirmou que continuará defendendo sua soberania e respondeu aos bombardeios lançando ataques contra instalações militares norte-americanas localizadas em países do Golfo Pérsico.
O Ministério da Saúde do Irã informou que os dois dias de ataques dos Estados Unidos deixaram 14 mortos e 78 feridos. Segundo o balanço oficial, 47 pessoas continuam hospitalizadas.
Além do impacto humanitário, a paralisação parcial do tráfego no Estreito de Ormuz amplia as preocupações do mercado internacional. Como a região é uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo, qualquer interrupção na circulação de navios pode afetar a oferta global da commodity, pressionando os preços e aumentando a volatilidade dos mercados de energia.







