Em pouco mais de 30 dias de campanha eleitoral, 84 conteúdos suspeitos já passaram pela análise do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) com auxílio da plataforma GuaIA. O material inclui suspeitas de desinformação, deepfakes, uso irregular de inteligência artificial e possíveis infrações relacionadas à propaganda eleitoral na internet.

A fiscalização digital está em funcionamento desde 16 de agosto, quando começou oficialmente a propaganda eleitoral das Eleições 2026. O trabalho é realizado pelo Comitê de Enfrentamento à Desinformação (CED) e combina denúncias encaminhadas pelo aplicativo Pardal com o monitoramento ativo de conteúdos publicados na internet.

O acompanhamento abrange Reddit, X, YouTube, Instagram, Facebook, WhatsApp, TikTok, Threads, Telegram, Kwai, Snapchat e Discord. O objetivo é identificar conteúdos potencialmente irregulares e avaliar aqueles que podem causar impacto ao processo eleitoral.

Imagens manipuladas, notícias falsas e enquetes estão na mira

Entre os conteúdos que aparecem com maior frequência nas análises estão imagens manipuladas, notícias inverídicas, enquetes e pesquisas que não atendem aos critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

Um dos exemplos citados pelo TRE-AM envolve enquetes que apresentam somente parte das candidaturas ou dão maior destaque a determinado concorrente. Segundo o Comitê, esse tipo de publicação pode produzir uma percepção distorcida da disputa.

Samuel Oliveira, integrante do CED e responsável pelo monitoramento, explica que conteúdos envolvendo inteligência artificial, deepfakes ou propaganda com informação inverídica ou enganosa e potencial lesivo passam por uma triagem com auxílio da GuaIA.

A plataforma classifica o risco considerando graus de desinformação e de possível ilicitude. A combinação dos indicadores auxilia os técnicos a dimensionar o potencial de dano da publicação e decidir quais casos precisam de uma verificação mais aprofundada.

Inteligência artificial não decide o que é verdadeiro ou falso

Apesar do uso da tecnologia, o próprio TRE-AM ressalta que a GuaIA não determina automaticamente se uma informação é verdadeira ou falsa.

O sistema faz uma análise preliminar e fornece elementos técnicos. A decisão sobre o conteúdo continua dependendo da avaliação humana, que considera o contexto da publicação, a veracidade das informações e o possível impacto eleitoral antes da elaboração de parecer técnico.

“A ferramenta permite examinar um volume maior de informações, facilita a triagem e ajuda a identificar conteúdos que exigem uma verificação mais aprofundada”, explica Samuel Oliveira.

Caso pode virar notícia de irregularidade

Quando a análise identifica indícios de irregularidade na propaganda eleitoral, o conteúdo pode resultar na formalização de uma Notícia de Irregularidade em Propaganda Eleitoral (NIP).

Dependendo das características e da gravidade do caso, o material analisado também pode servir de fundamento para outras providências na esfera eleitoral.

A atuação do CED não está restrita à plataforma GuaIA. Portaria do TRE-AM estabelece que o Núcleo de Fiscalização Virtual deve monitorar conteúdos relacionados à propaganda irregular, desinformação, fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados, além de identificar indícios de manipulação digital, uso irregular de inteligência artificial, robôs, disparos em massa e deepfakes.

Pardal também recebe denúncias

As denúncias encaminhadas pela população constituem outra frente da fiscalização. Somente nos primeiros 15 dias da propaganda eleitoral, entre 16 e 30 de agosto, o Pardal registrou 99 denúncias de possíveis irregularidades no Amazonas, sendo 91 em Manaus. A propaganda na internet liderou as ocorrências naquele período, com 27 registros.

A GuaIA foi desenvolvida pelo Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG), em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). Além do Amazonas, a tecnologia também é utilizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

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