
A estratégia do senador Flávio Bolsonaro (PL) de ampliar sua base política para a disputa pela Presidência da República sofreu mais um revés nesta terça-feira (4). A convenção nacional do União Brasil confirmou que a legenda permanecerá neutra na eleição presidencial de 2026, decisão que praticamente encerra as negociações para uma aliança nacional com o PL e amplia o isolamento político do pré-candidato ao Palácio do Planalto.
A definição ocorre poucos dias depois de o PP adotar a mesma posição e horas após o Republicanos também anunciar que não apoiará nenhum candidato à Presidência. Os três partidos estiveram ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022, mas decidiram seguir um caminho diferente na sucessão presidencial deste ano.
Na avaliação de dirigentes políticos, a sequência de decisões reduz significativamente o espaço de articulação de Flávio Bolsonaro para formar uma chapa competitiva e amplia as dificuldades para atrair partidos do centro.
União Progressista libera palanques estaduais
A decisão foi anunciada pelo presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, que afirmou que a neutralidade reflete uma estratégia construída pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
Segundo ele, a federação optou por não nacionalizar os apoios e dará liberdade para que seus filiados apoiem, nos estados, o candidato à Presidência que melhor se ajuste às alianças regionais.
“Tenho consciência do peso político que a Federação União Progressista tem nacionalmente e que temos nomes extremamente preparados para todos os cargos. A posição que estamos adotando reflete a nossa maturidade política”, declarou Rueda.
Na prática, a decisão impede qualquer apoio institucional da federação à candidatura de Flávio Bolsonaro, embora dirigentes estaduais possam subir em palanques diferentes pelo país.
PL perde opções para vice
A neutralidade também frustrou a estratégia do PL de buscar um nome de peso entre os partidos aliados para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial.
Uma das principais alternativas era a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a ser sondada por Flávio Bolsonaro. Segundo informações publicadas por O Globo, ela demonstrou disposição para aceitar o convite, mas a direção nacional do PP decidiu barrar qualquer composição.
Outra possibilidade era a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos e apontada como um dos nomes mais cotados para a vice-presidência. Com a decisão da legenda de permanecer neutra, essa alternativa também foi descartada.
O Podemos, outro partido procurado pelo PL durante as negociações, também caminha para anunciar neutralidade, reduzindo ainda mais as possibilidades de ampliar a coligação presidencial.
Definição da chapa fica para os últimos dias
Mesmo diante das dificuldades, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende utilizar todo o prazo permitido pela Justiça Eleitoral antes de anunciar o nome que ocupará a vice-presidência.
Em entrevista ao site O Antagonista, o senador afirmou que a definição ocorrerá somente próximo ao registro oficial da candidatura.
“Eu tenho até o dia 15 dessa novela para poder escolher. Será junto com o registro da candidatura, que tem até o dia 15 de agosto para acontecer. Até lá também já estarei, com certeza, com a vice-presidência escolhida”, afirmou.
As convenções partidárias terminam nesta quarta-feira (5), enquanto o prazo para registro das chapas se encerra em 15 de agosto.
Reflexos chegam aos estados
A neutralidade nacional também começou a produzir efeitos nas disputas estaduais.
No Rio de Janeiro, a Federação União Progressista retirou o apoio à candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Estado e decidiu não participar da disputa.
Por outro lado, lideranças do União Brasil e do Republicanos continuam negociando, em estados como São Paulo e Minas Gerais, a possibilidade de oferecer palanques regionais para Flávio Bolsonaro, ainda que sem apoio formal das direções nacionais.
Caso Master contribuiu para o distanciamento
Nos bastidores, outro fator apontado como responsável pelo afastamento entre Flávio Bolsonaro e dirigentes do União Brasil e do PP foi a repercussão das investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo reportagem citada por O Globo, o site The Intercept revelou que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos ao empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, dirigentes da federação demonstraram desconforto com a postura do senador após a operação da Polícia Federal que teve como alvo o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, nas investigações relacionadas ao banco. Ciro nega qualquer irregularidade.
A reportagem também lembra que o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, prestou serviços advocatícios ao Banco Master e foi citado em mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, enquanto ACM Neto, vice-presidente da legenda, teve uma empresa de consultoria contratada pela instituição. Ambos negam irregularidades e não são investigados.
Com União Brasil, PP e Republicanos oficialmente fora da coligação presidencial, Flávio Bolsonaro chega à reta final das convenções partidárias diante do maior desafio de sua pré-campanha: encontrar um nome para compor a chapa e reduzir o isolamento político na disputa pelo Palácio do Planalto.







