
Medicamentos baseados no hormônio GLP-1, usados para tratar diabetes tipo 2 e perda de peso, não funcionam da mesma forma para todos os pacientes. Um novo estudo publicado em março na revista Genome Medicine sugere que diferenças genéticas podem explicar parte dessa variação na resposta ao tratamento.
A pesquisa indica que variantes em um gene chamado PAM podem tornar esses medicamentos menos eficazes em cerca de 10% das pessoas. Os agonistas de GLP-1 imitam ou estimulam a ação de um hormônio que ajuda a controlar o açúcar no sangue, estimulando a liberação de insulina e retardando a digestão. Apesar de serem eficazes para muitos pacientes, médicos observam que a resposta pode variar bastante. “Quando trato pacientes na clínica de diabetes, observo uma enorme variação na resposta a esses medicamentos e é difícil prever essa diferença apenas com base em fatores clínicos”, afirma o endocrinologista Mahesh Umapathysivam, da Universidade de Adelaide.
Os pesquisadores analisaram um gene responsável pela produção de uma enzima chamada PAM, envolvida na ativação de vários hormônios do organismo, incluindo o próprio GLP-1. Cerca de uma em cada dez pessoas apresenta variantes no gene que podem interferir no funcionamento do hormônio. No estudo, os cientistas compararam pessoas com essas variantes genéticas a indivíduos sem a alteração. Mesmo apresentando níveis mais altos de GLP-1 no organismo, os participantes com a mutação não mostraram a mesma resposta na redução do açúcar no sangue. Testes em modelos animais mostraram resultado semelhante: camundongos sem a enzima PAM também apresentaram sinais de resistência ao GLP-1 e dificuldade em regular a glicose, mesmo com níveis elevados do hormônio.
A análise de dados de ensaios clínicos com mais de mil participantes mostrou que pessoas sem as variantes do gene PAM tendiam a responder melhor aos medicamentos baseados em GLP-1 do que aquelas que possuíam essas alterações genéticas. Entender essas diferenças pode ajudar no futuro a prever quais pacientes têm maior chance de se beneficiar do tratamento. Uma possibilidade é que testes genéticos ajudem a orientar a escolha do medicamento mais adequado para cada pessoa com diabetes tipo 2. Outra linha de pesquisa envolve o desenvolvimento de novas versões desses medicamentos capazes de contornar a resistência associada ao gene PAM. Os cientistas ressaltam, porém, que ainda são necessários novos estudos para entender com mais precisão como essas variantes genéticas interferem na resposta ao tratamento e de que forma esse conhecimento poderá ser aplicado na prática clínica.
Com informações de Metrópoles







