Funcionários aguardam orientação e embarque para deixar o Distrito Industrial após empresas liberarem trabalhadores por medida de segurança em razão do vazamento de estireno registrado na petroquímica Innova, em Manaus.

Os impactos do vazamento de estireno registrado na petroquímica Innova, no Distrito Industrial de Manaus, se ampliaram nesta quinta-feira (16) e atingiram diretamente a rotina da capital amazonense. Além da mobilização das equipes de emergência, o incidente provocou a suspensão das atividades em escolas estaduais e municipais, interrompeu o atendimento no Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) do Studio 5 e levou mais de 30 mil trabalhadores a deixarem o polo industrial por medida de segurança.

A dimensão dos efeitos fez com que o episódio extrapolasse os limites da empresa onde ocorreu o acidente, afetando serviços públicos, instituições de ensino e dezenas de indústrias instaladas na principal área fabril do Amazonas.

Mais de 30 mil trabalhadores foram liberados

Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), aproximadamente 30 mil trabalhadores foram dispensados de suas atividades nesta quinta-feira para reduzir os riscos decorrentes da permanência do forte odor provocado pelo estireno.

Até o momento, pelo menos 18 empresas adotaram medidas preventivas e liberaram seus funcionários para retornar às residências.

Entre elas estão Positivo, Boardtec, Oriente, Compal, PST, Costa Brasil, RLX Fluidos Refrigerantes, LG, Boreo, Yamaha, Honda, Venttos, Engie, Electrolux, PCE, Digboard, P&G e setores da própria Prefeitura de Manaus instalados no Distrito Industrial.

O presidente da FIEAM, Antônio Silva, afirmou que acompanha a atuação da força-tarefa e demonstrou confiança de que a situação seja estabilizada nas próximas horas.

“Acredito que em 24 horas mais nós teremos uma situação mais normalizada do que está agora”, declarou.

Em nota, a entidade também manifestou solidariedade à direção da Innova e aos trabalhadores da empresa, além de reconhecer o trabalho realizado pelo Corpo de Bombeiros, Secretaria de Segurança Pública, Polícia Militar, brigadistas e equipes da rede estadual e municipal de saúde.

Escolas suspendem aulas

O reflexo do vazamento também atingiu a educação.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) suspendeu as atividades em 16 escolas das zonas Leste e Sul de Manaus devido à permanência do odor da substância química nas proximidades das unidades.

Já a Secretaria de Estado de Educação informou que três escolas estaduais — Antônio Lucena Bittencourt, Antovila Mourão Vieira e Bom Pastor — permaneceram sem aulas nesta quinta-feira para a realização de serviços de sanitização. A previsão é que as atividades sejam retomadas normalmente na sexta-feira (17).

A unidade Francisco Garcia, do Serviço Social da Indústria (Sesi), também cancelou as aulas como medida preventiva.

PAC do Studio 5 interrompe atendimento

Os efeitos do vazamento também alcançaram os serviços públicos.

O PAC do Studio 5, administrado pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), suspendeu todos os atendimentos durante esta quinta-feira por orientação dos órgãos responsáveis pela operação de emergência.

Segundo a secretaria, os usuários que tinham agendamento poderão ser atendidos novamente a partir desta sexta-feira.

Bombeiros seguem monitorando os tanques

Enquanto a rotina da cidade sofre os reflexos do acidente, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas permanecem mobilizadas na petroquímica Innova.

Mesmo com a redução da intensidade do vazamento, os militares continuam realizando o resfriamento dos tanques onde ocorreu o superaquecimento responsável pela liberação de vapores de estireno.

Segundo os bombeiros, ainda há emissão de vapor em menor intensidade durante o processo de controle da temperatura do material, o que exige monitoramento permanente para evitar um novo superaquecimento.

Incidente continua mobilizando autoridades

O vazamento teve início no fim da tarde de quarta-feira (15), após um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno apresentar superaquecimento.

Desde então, a ocorrência mobiliza uma força-tarefa formada pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil, órgãos ambientais e equipes de saúde.

Além do impacto nas atividades industriais, o episódio passou a afetar o funcionamento de escolas, serviços públicos e empresas, tornando-se um dos maiores incidentes envolvendo produtos químicos registrados nos últimos anos no Distrito Industrial de Manaus.

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