
A Venezuela vive um momento de incerteza política após a saída de Nicolás Maduro do poder e a ascensão de um governo interino apoiado pelos Estados Unidos. Apesar da redução da repressão em algumas regiões, moradores ainda convivem com dificuldades econômicas, medo e desconfiança sobre o futuro do país.
Em Caracas, cenas antes consideradas improváveis passaram a acontecer com mais frequência. Opositoras participam de manifestações públicas, familiares de presos políticos realizam protestos em frente a presídios e ativistas voltaram a circular pelas ruas sem o mesmo nível de perseguição registrado nos últimos anos.
Mudanças ainda geram desconfiança
Mesmo com a flexibilização do ambiente político, muitos venezuelanos acreditam que as mudanças ainda não representam liberdade plena.
“Precisamos de eleições. Temos flexibilidade, mas não liberdade”, afirmou a manifestante María Pérez.
Os Estados Unidos intensificaram ações diplomáticas e econômicas para apoiar a nova fase do país, incluindo retomada de voos diretos, aproximação política e incentivo à entrada de investimentos estrangeiros.
Apesar disso, a população ainda enfrenta problemas históricos, como baixos salários, falta de medicamentos, insegurança alimentar e falhas constantes nos serviços públicos.
Crise econômica continua afetando famílias
Em bairros populares de Caracas, moradores relatam dificuldades para manter alimentação básica e comprar remédios.
“Se hoje comemos ovos, amanhã comemos um pedaço de frango”, disse Ana Pérez, moradora da capital.
Segundo relatos, muitas famílias ainda dependem de reservatórios improvisados devido às frequentes interrupções no abastecimento de água. A escassez de medicamentos também segue sendo um dos principais problemas enfrentados pela população.
Oposição cobra eleições rápidas
Ativistas e apoiadores da oposição defendem a realização de eleições democráticas o mais rápido possível para evitar que o atual governo interino consolide poder sem participação popular.
Jesús Armas, ex-preso político ligado à oposição, afirmou que a população teme uma permanência prolongada das atuais lideranças civis.
“Precisamos de um calendário eleitoral o quanto antes”, declarou.
Já a presidente interina, Delcy Rodríguez, afirma que o país vive um “renascimento” e promete recuperação econômica gradual, responsabilizando antigas sanções internacionais pela crise venezuelana.
Enquanto isso, a população segue dividida entre esperança, cautela e o desejo de estabilidade após anos de crise política e social.







