O verão amazônico, marcado pela estiagem, pelas altas temperaturas e pela baixa umidade do ar, exige atenção redobrada da população para prevenir doenças infecciosas. O calor intenso favorece a multiplicação de microrganismos em alimentos e na água. Além disso, aumenta a vulnerabilidade a infecções, especialmente entre crianças, pessoas idosas e/ou com doenças crônicas.

Diferentemente de outras regiões do país, o verão na Amazônia coincide com a redução das chuvas e do volume dos rios, fenômeno que altera a rotina da população e impacta diretamente as condições de saúde. A vazante expõe as margens e deixa poças de água residual, ambiente favorável à reprodução do mosquito transmissor da malária.

Somam-se a isso o aumento da poeira e da fumaça das queimadas, que prejudicam as defesas naturais das vias respiratórias, e a maior frequência a praias fluviais, balneários e igarapés.

Doenças mais comuns
A malária é a principal preocupação do período e o Amazonas concentra parte expressiva dos casos registrados no país. Em paralelo, é preciso redobrar a atenção contra infecções gastrointestinais, viroses causadas pelo consumo de água ou alimentos contaminados, hepatite A e infecções respiratórias, agravadas pela baixa umidade e pela piora da qualidade do ar. As praias fluviais e os balneários acrescentam riscos próprios, como parasitoses de pele transmitidas pela areia contaminada e a otite do nadador.

Mesmo durante a estiagem, o combate ao mosquito Aedes aegypti deve continuar. A escassez de chuva leva ao armazenamento de água em casa, e caixas-d’água destampadas, baldes, tambores e recipientes descobertos seguem servindo de criadouro para os transmissores da dengue, zika e chikungunya.

De acordo com a infectologista Dessana Francis Chehuan Melo, da Hapvida, boa parte desses agravos pode ser evitada com medidas simples de prevenção e atenção aos primeiros sintomas. A especialista destaca que o reconhecimento precoce da malária é decisivo para evitar as formas graves.

“Toda pessoa com febre, que esteve em área rural, de garimpo ou ribeirinha nas últimas semanas deve procurar atendimento e realizar o exame para malária. O diagnóstico é rápido e o tratamento precoce evita complicações. Febre depois de um fim de semana no interior não deve ser tratada como uma virose comum nem com automedicação”, alerta a infectologista Dessana.

É fundamental consumir água potável, manter os alimentos refrigerados e bem higienizados, manter a vacinação em dia com atenção à febre amarela para quem vai a áreas de mata, aplicada pelo menos dez dias antes da viagem e procurar atendimento diante de febre persistente, diarreia intensa, vômitos ou sinais de desidratação.

Dicas de saúde
– Usar repelente e roupas que cubram braços e pernas ao amanhecer e ao anoitecer, além de mosquiteiro em áreas rurais e ribeirinhas.
– Procurar atendimento e realizar o exame para malária diante de febre após deslocamento a área de risco.
– Eliminar recipientes com água parada e manter caixas-d’água, baldes e tambores sempre tampados.
– Consumir apenas água potável, filtrada ou fervida e lavar corretamente frutas e verduras.
– Evitar alimentos expostos ao calor por longos períodos e reforçar a higiene das mãos.
– Manter a caderneta de vacinação em dia, incluindo febre amarela e hepatite A conforme indicação.
– Manter boa hidratação ao longo do dia e usar protetor solar, com reaplicação a cada duas horas e após o banho de rio.
– A adoção desses cuidados contribui para atravessar o verão amazônico com mais saúde e segurança.

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