Foto: Bernardo Oliveira/Instituto Mamirauá

Pesquisadores do Universidade do Estado do Amazonas (UEA) identificaram novos vestígios arqueológicos em uma área do Centro Histórico de Parintins, com materiais que podem ter mais de 3 mil anos. A descoberta reforça a presença de antigas populações na região e contribui para o aprofundamento de estudos sobre a história da Amazônia.

Os achados ocorreram durante uma atividade de campo realizada em novembro do ano passado, com a participação de pesquisadores e estudantes de arqueologia. As escavações foram conduzidas em uma área residencial localizada no bairro da Francesa.

Entre os materiais encontrados, análises laboratoriais apontaram a presença de cerâmicas da tradição Pocó-Açutuba, associadas aos primeiros ceramistas da Amazônia. Também foram identificados objetos como alargadores e outros utensílios decorativos utilizados por povos originários.

Segundo a arqueóloga Clarice Bianchezzi, os fragmentos apresentam características marcantes. “Foi possível identificar um padrão recorrente, com cerâmicas coloridas em tons de branco, amarelo alaranjado e preto, além de uma decoração bastante expressiva”, destacou.

Os pesquisadores explicam que elementos aparentemente simples, como pequenas pedras encontradas no local, podem ser, na verdade, restos de ferramentas utilizadas por populações que habitaram a ilha há milênios. Há indícios, inclusive, de uma indústria lítica voltada à produção de instrumentos usados na confecção de colares, pingentes e na perfuração de rochas.

Os vestígios estavam dentro de uma área já mapeada desde 2018, que integra um conjunto de 42 sítios arqueológicos identificados em Parintins. De acordo com os estudiosos, a quantidade de materiais encontrados indica uma ocupação humana significativa na região ao longo do tempo.

Os itens coletados foram catalogados e permanecem no campus da UEA em Parintins, onde seguirão sendo analisados em laboratório. A expectativa é que novas pesquisas aprofundem o conhecimento sobre os modos de vida dessas populações antigas.

No mês de maio, especialistas em arqueologia da Amazônia devem visitar o local da descoberta. O encontro busca fortalecer a formação de novos profissionais na área e incentivar o desenvolvimento de pesquisas científicas na região.

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