Um vídeo de câmeras de segurança, gravado dez dias antes do crime, revelou que o assassinato da jovem Alana Arruda Pereira, de 25 anos, no bairro Betânia, Zona Sul de Manaus, foi precedido por uma discussão violenta entre a vítima e o vigilante Emerson Vasconcelos de Araújo, que confessou o homicídio. As imagens passaram a integrar a investigação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e reforçam o histórico de conflitos entre vizinhos.

O registro foi feito no domingo (18), em frente à casa do vigilante, e mostra o momento em que Emerson chega de motocicleta acompanhado da esposa e é abordado por Alana, que que estava no local. A conversa, inicialmente verbal, rapidamente evolui para agressões, xingamentos e atos de depredação.

Nas imagens, o vigilante aparece chutando churrasqueira e mesas, arremessando objetos contra o portão e entrando e saindo da residência durante a confusão. Mesmo após a esposa dele passar mal, a discussão prossegue, com tentativas de intervenção de terceiros. A gravação evidencia a escalada de tensão que antecedeu o crime.

Ameaças após a briga

Segundo a mãe da vítima, Maria Cleia Arruda, após o episódio registrado em vídeo, o vigilante passou a ameaçar a família, inclusive mencionando que poderia jogar uma granada na residência. A mãe afirmou que tentou apaziguar a situação e pediu para que os conflitos cessassem.

Na tarde desta quarta-feira (28), por volta das 16h, Alana foi até a porta de casa para receber uma encomenda. Minutos depois, o vigilante chegou do trabalho. Pouco tempo após um novo confronto verbal, disparos foram ouvidos.

“Ele pegou minha irmã de costas”, diz irmã da vítima

A irmã da jovem, Amanda Arruda, afirmou que a família não tinha histórico de confusão e que Alana vinha sendo provocada e ameaçada após o episódio registrado em vídeo.

“Ele pegou minha irmã de costas. A gente não quer confusão, só quer que as coisas sejam resolvidas do jeito certo. Só queremos que minha irmã descanse em paz e que esse homem deixe nossa família em paz”, declarou.

Amanda também negou qualquer envolvimento da vítima com o tráfico de drogas.

“Ela não era do tráfico. Ela apenas conhecia pessoas, como qualquer um de nós”, disse.

Segundo a irmã, o vigilante sabia que Alana trabalhava como garota de programa e teria se revoltado após não ter o interesse correspondido.

“Ele queria e ela não quis. Depois disso, começou a perseguição, as ameaças e a confusão daquele domingo”, relatou.

O crime

De acordo com familiares, na tarde desta quarta-feira (28), por volta das 16h30, Alana foi até a porta de casa para receber uma encomenda. Pouco depois, Emerson chegou do trabalho e, após nova discussão verbal, desceu armado e efetuou um disparo que atingiu a cabeça da jovem, causando morte imediata.

De acordo com a Polícia Militar do Amazonas, por meio da 7ª Companhia Interativa Comunitária (7ª Cicom), o vigilante se entregou espontaneamente e confessou o crime.

O delegado George Gomes, da DEHS, confirmou que o histórico de conflitos já era conhecido e que há informações sobre supostas ameaças ao suspeito na noite anterior ao crime, o que também será apurado.

Investigação

Equipes do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) realizaram a perícia no local, e o corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML). O caso segue sob investigação para esclarecer completamente a motivação e as circunstâncias do homicídio.

Alana morava com a mãe, o padrasto, o irmão e a filha, de apenas 4 anos, em uma casa vizinha à residência do suspeito.

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