
Uma vítima de uma tentativa de golpe bancário chegou a prever a prisão de um dos suspeitos que tentaram enganá-la. O áudio, encontrado pela Polícia Civil no celular de um dos investigados, foi apreendido durante uma operação que desarticulou uma central de golpes na zona rural de Franco da Rocha, na Grande São Paulo.
Na gravação, o homem, de 50 anos, demonstra indignação com a tentativa de fraude e afirma acreditar que o criminoso seria preso.
“O que tu deu de golpe na turma, tu vai levar uma semana, tu vai perder. Se Deus existe, vai acontecer isso.”
Dias depois, o suspeito acabou sendo preso pela Polícia Civil. A vítima também mencionou na gravação sua experiência profissional como carreteiro e afirmou conhecer diferentes tipos de pessoas.
Central funcionava em uma chácara
A central de golpes foi localizada por policiais da 5ª Disccpat (Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio), do Deic.
Segundo a investigação, os suspeitos haviam alugado uma chácara na zona rural de Franco da Rocha cerca de uma semana antes da operação. O imóvel era utilizado como base para aplicar golpes, principalmente contra correntistas idosos.
Quando os policiais chegaram ao local, encontraram parte dos investigados ao telefone e outros utilizando computadores para abordar possíveis vítimas.
Ao perceberem a presença das equipes, alguns suspeitos tentaram fugir pelos fundos da propriedade. Dois homens conseguiram escapar pela mata, enquanto quatro mulheres e um homem, com idades entre 20 e 25 anos, foram presos em flagrante.
Uma das mulheres já possuía passagem pela polícia por estelionato.
Criminosos se passavam por gerentes de banco
De acordo com as investigações, o grupo utilizava uma estratégia baseada em falsos contatos de instituições financeiras.
Os criminosos se apresentavam como gerentes de bancos e informavam às vítimas sobre supostas compras ou movimentações suspeitas em cartões.
A partir da falsa alegação de que havia uma falha de segurança, os golpistas convenciam as vítimas a realizar procedimentos que, segundo eles, seriam necessários para proteger as contas.
Na realidade, as ações permitiam que os criminosos obtivessem dados bancários e informações pessoais, além de realizar desvios de dinheiro.
Pessoas idosas estavam entre os principais alvos da organização.
Durante a operação, os policiais apreenderam seis celulares, cinco notebooks, cinco fones de ouvido e três veículos. Os equipamentos serão submetidos à perícia.
A análise dos aparelhos poderá ajudar os investigadores a identificar outras vítimas e descobrir a dimensão do esquema.
Os cinco presos foram encaminhados à 5ª Disccpat e permanecem à disposição da Justiça. Eles respondem, em tese, por estelionato e associação criminosa.
Polícia já havia descoberto outra central
A operação em Franco da Rocha foi a segunda ação contra uma central de golpes realizada na mesma semana.
Na segunda-feira (10), policiais da 1ª Disccpat prenderam quatro suspeitos em uma falsa central bancária instalada em um apartamento no bairro José Bonifácio, na zona Leste de São Paulo.
Segundo a polícia, os criminosos utilizavam bancos de dados com informações pessoais das vítimas para tornar os contatos mais convincentes. O objetivo era obter dados bancários, como números de contas, cartões e senhas, além de realizar transferências e outras transações.
Na ocasião, foram apreendidos cinco notebooks, 13 celulares, quatro máquinas de cartão, 33 chips de celular e dois veículos.







