O ex-governador e candidato ao Senado Wilson Lima (União) elevou o tom contra o deputado federal e também candidato Capitão Alberto Neto (PL) durante o debate promovido pela Rede Amazônica na sexta-feira (25). O principal alvo das críticas foi a presença do empresário Alessandro Bronze Toniza, ligado a empresas que operam áreas do Porto de Manaus, como primeiro suplente na chapa do parlamentar.

“No momento em que você tá votando no Alberto Neto, não tá votando no Alberto Neto, você tá votando no dono do Porto”, disparou Wilson durante o confronto.

Alessandro Bronze Toniza concorre oficialmente com o nome Alessandro Toniza e consta como primeiro suplente de Alberto Neto no registro da candidatura. O segundo suplente é Mário Bastos.

Durante o debate, Wilson sustentou que haveria um acordo para que Alberto Neto, caso eleito, deixasse posteriormente o Senado, abrindo espaço para a posse do primeiro suplente. A afirmação foi feita pelo candidato durante a disputa eleitoral e não deve ser tratada como fato consumado sem comprovação independente. Para um suplente assumir definitivamente, é necessário ocorrer uma das hipóteses constitucionais de vacância do mandato; também há situações de afastamento temporário nas quais o suplente pode ser convocado.

Wilson questiona relação do suplente com Porto de Manaus

Wilson Lima também utilizou as tarifas cobradas no terminal portuário para atacar politicamente a composição da chapa adversária.

“Como é que o dono do problema vai ser a solução do problema?”, questionou.

Na sequência, dirigiu-se especialmente aos moradores do interior e mencionou cobranças relacionadas ao acesso ao terminal.

“Para você que é do interior, para mandar uma encomenda para algum parente receber aqui, esse parente tem que pagar R$ 8. Quem vai para o interior de barco, essa pessoa tem que pagar R$ 8 se quiser entrar antes para atar a rede”, acusou Wilson.

As declarações fazem parte do confronto eleitoral e refletem a argumentação apresentada pelo candidato durante o debate. Reportagem publicada após o programa também registrou que Wilson cobrou explicações de Alberto Neto sobre Alessandro Toniza e sua atuação relacionada ao Porto de Manaus.

Alessandro Bronze virou Alessandro Toniza na urna

O primeiro suplente de Alberto Neto é o empresário Alessandro Bronze Toniza, que nesta eleição adotou Alessandro Toniza como nome político.

Em 2016, quando tentou disputar a Vice-Prefeitura de Manaus, o empresário utilizava politicamente o sobrenome Bronze. Na eleição de 2026, passou a utilizar Toniza. Seu nome civil, contudo, permanece Alessandro Bronze Toniza.

Dados da candidatura mostram que Toniza declarou ao TSE ocupação de empresário e patrimônio de aproximadamente R$ 23,4 milhões.

Justiça Eleitoral já analisou críticas contra suplente

A figura de Alessandro Toniza como primeiro suplente já foi objeto de outras controvérsias durante a campanha.

Recentemente, a Justiça Eleitoral negou pedido de direito de resposta apresentado por Toniza contra o Portal Chumbo Grosso em razão de publicação que o qualificava como “lobista” e fazia críticas à composição da chapa.

Na decisão, o juiz auxiliar Diogo Oliveira Nogueira Franco considerou que, nas circunstâncias examinadas, o uso da expressão e as críticas estavam inseridos no debate político e não preenchiam os requisitos para concessão do direito de resposta. A liminar que havia determinado a retirada da publicação foi revogada.

Em outro processo eleitoral envolvendo publicação sobre a chapa, a Justiça analisou especificamente a frase de que “quando você votar no Alberto Neto, você estará votando no Alessandro Bronze”. A decisão entendeu, naquele contexto, que a afirmação não configurava por si só pedido explícito de não voto nem ultrapassava os limites da crítica política legítima.

Suplente assume em caso de vacância

Pela Constituição, cada senador é eleito com dois suplentes. Assim, embora o voto seja dado ao candidato titular, os suplentes integram formalmente a chapa escolhida pelo eleitor.

No caso de Alberto Neto, os registros eleitorais apontam Alessandro Toniza como primeiro suplente e Mário Bastos como segundo.

A eventual posse de Toniza no Senado, porém, não é automática nem pode ser apresentada como certa. Ela dependeria das hipóteses constitucionais que levam à convocação do suplente. Por isso, a declaração de Wilson Lima sobre um suposto acordo para transferência futura do mandato permanece, até que haja comprovação, como uma acusação feita por um adversário no contexto da campanha eleitoral.

Artigo anteriorUFAM promove debate sobre crise da democracia, eleições e soberania em meio à conjuntura política brasileira