Por Luís Lemos, professor, filósofo e escritor

Neste novo episódio do projeto Vozes da Literatura de Manaus (VLM), abrimos espaço para a sensibilidade, a delicadeza e a força criativa de Anete Valdevino, escritora, educadora, ilustradora e artista que transforma palavra e imagem em caminhos de encantamento, reflexão e pertencimento. Convidamos leitoras e leitores a conhecer sua trajetória, suas inspirações e sua produção literária, profundamente marcada pela cultura amazônica e pelo compromisso com a formação humana, especialmente por meio da literatura infantil. Que este encontro seja mais uma ponte entre autores, leitores e as múltiplas histórias que constroem a identidade literária da nossa cidade.

VLM – Quem é você?
Sou Anete Valdevino, escritora, educadora, ilustradora, poetisa, artesã e artista movida pela sensibilidade, pela memória e pela força das histórias que nascem da nossa terra. Minha trajetória é atravessada pela educação, pela cultura e pelo compromisso social. Ao longo dos anos, venho construindo uma caminhada dedicada à palavra como instrumento de transformação, especialmente por meio da literatura infantil, onde encontro um território fértil de encantamento e formação humana. Além da escrita, desenvolvo um trabalho intenso no campo das artes visuais, atuando como ilustradora dos meus próprios livros e de outros autores. Como artista plástica, já produzi quadros autorais e participei de exposições, experiências que ampliaram meu olhar estético e fortaleceram minha linguagem criativa. Essa integração entre literatura e pintura faz parte da minha identidade artística, unindo palavra e imagem como caminhos complementares de expressão.

VLM – O que a inspirou a se tornar escritora?
A inspiração para me tornar escritora nasceu da convivência com histórias, da escuta sensível do cotidiano e do desejo de tocar pessoas por meio da palavra. Sempre acreditei que as narrativas têm o poder de acolher, ensinar e despertar consciência. Escrever é uma necessidade interior e, ao mesmo tempo, um compromisso com o coletivo, especialmente com crianças e jovens, para quem a imaginação se torna porta de descobertas e esperança.

VLM – Quantos livros você já publicou e quais são eles?
Já publiquei seis livros solos. Quatro deles são voltados ao público infanto-juvenil: Reginha; Ratinho Rodido e o Monstro, uma história contada por Ethan; Reginha se preparando para ir à escola; e Enzo. Também publiquei dois livros destinados ao público adulto: Um Dia em Companhia da Dor, que já recebeu dois prêmios, e Amor, Sexo e Poesia, obra que percorre uma trilha sensível e intensa de sentimentos e reflexões. Além dos títulos individuais, participei de diversas antologias literárias, inclusive uma em Minas Gerais, na qual conquistei o segundo lugar com uma poesia, e também atuei na organização de coletâneas, estando atualmente envolvida na produção da terceira.

VLM – Como você se define no campo literário? Considera-se mais contista, poeta ou romancista, ou transita por diferentes gêneros?
Transito por diferentes gêneros, com forte presença na literatura infantil e na poesia. Minha escrita combina narrativa e lirismo, buscando tocar o leitor com delicadeza e profundidade. Também atuo como ilustradora literária, colaborando com obras de outros autores, experiência que amplia meu repertório artístico e fortalece o diálogo entre texto e imagem.

VLM – De que forma a literatura de Manaus e a cultura local influenciam sua escrita?
A cultura amazônica influencia profundamente minha escrita. Os rios, as lendas, a oralidade, o cotidiano ribeirinho e a força simbólica da floresta aparecem como elementos vivos nas minhas histórias. A Amazônia não é apenas cenário: é personagem, identidade e inspiração permanente.

VLM – Quais desafios você enxerga para quem produz literatura em Manaus hoje?
Entre os desafios de produzir literatura na região estão a circulação das obras, a visibilidade nacional e o acesso contínuo a políticas públicas de incentivo. Ainda existem barreiras estruturais para autores do Norte, mas também há uma produção literária pulsante, cheia de talentos e iniciativas coletivas que demonstram a força cultural da nossa região.

VLM – Que mensagem você deseja transmitir aos leitores por meio de seus livros?
A mensagem que desejo transmitir é de pertencimento, esperança, empatia e consciência. Quero que leitores de todas as idades reconheçam a beleza da nossa cultura e percebam que cada história pode ser uma ponte para o autoconhecimento e para a transformação interior.

VLM – Deixe uma mensagem às leitoras e leitores do Fato Amazônico.
Aos leitores e leitoras do portal Fato Amazônico, deixo meu carinho e minha gratidão. Que continuemos valorizando a literatura produzida na Amazônia, apoiando nossos autores e acreditando na palavra como ponte entre sonhos e realidade. A leitura nos aproxima, nos humaniza e nos fortalece. Que sigamos juntos, escrevendo e vivendo novas histórias.

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