Por Luís Lemos: filósofo, professor e escritor
Encerramos a edição deste ano do projeto Vozes da Literatura de Manaus (VLM) com a escritora Evany Nascimento, autora cuja trajetória está profundamente ligada à história, à cultura e às questões ambientais de Manaus. Nascida na Zona Leste da cidade, sua escrita transita entre poesia, memória urbana e pesquisa histórica, reafirmando a literatura como espaço de consciência e preservação. Nesta entrevista, a autora compartilha sua trajetória, inspirações e sua visão sobre a produção literária de Manaus.
1. Quem é você?
Sou Evany Nascimento, filha de Francisca, nascida e criada na Zona Leste de Manaus, no bairro do Coroado. Que sempre estudou em escolas públicas, cursou universidade pública e agora é professora de uma universidade pública também.
2. O que a inspirou a se tornar escritora?
Cecília Meireles. Eu me encantei com o poema “As Meninas” e eu queria ser a Maria, que dizia “Bom dia”. E meu nome já era Maria.
3. Quantos livros você já publicou e quais são eles?
Foram quatro livros: Monumentos Públicos do Centro Histórico de Manaus (Valer, 2013); Manaus em Poesia (UEA, 2019); Respiro (Edição do Autor, 2022); Histórias de Bichos e Árvores (Edição do Autor, 2025)
4. Como você se define no campo literário? Considera-se mais contista, poeta ou romancista, ou transita por diferentes gêneros?
Eu sempre gostei e me sinto mais confortável escrevendo poemas e estou me especializando em Poesia Narrativa. Mas já ensaiei crônicas.
5. De que forma a literatura de Manaus e a cultura local influenciam sua escrita?
Desde o meu primeiro livro eu falo sobre a história da cidade, a cultura regional amazônica e agora, as questões ambientais. Minha trajetória acadêmica passa pelo estudo da história da cidade e da cultura amazônica e minha trajetória literária é uma continuação desses estudos e vivências.
6. Quais desafios você enxerga para quem produz literatura em Manaus hoje?
Para quem faz de forma autônoma e independente, como eu, o grande desafio, além de produzir/imprimir é a distribuição. A pessoa tem que literalmente, pegar seu livro embaixo do braço e sair para a rua vender. Existem editais e eventos que ajudam muito. Mas carecemos de ponto de venda, um lugar onde as pessoas saibam que ali vão encontrar os livros dos escritores independentes.
7. Que mensagem você deseja transmitir aos leitores por meio de seus livros?
Que temos uma cidade com uma história linda e cheia de conflitos, que precisamos conhecer para melhorar. Que temos uma biodiversidade e um território com uma cultura ímpar e muito rica que precisamos conhecer para preservar.
8. Deixe uma mensagem às leitoras e leitores do portal Fato Amazônica.
O livro e a leitura me salvaram e continuam salvando até hoje. Ler é um ato libertador! É um direito pelo qual precisamos lutar.
Com esta entrevista, encerramos a edição de 2026 do projeto Vozes da Literatura de Manaus, celebrando as múltiplas vozes que fortalecem a literatura amazônica.
Agradecemos a todos os escritores e leitores que caminharam conosco neste projeto e renovamos o convite para a próxima edição, em 2027, com novas histórias e novos encontros literários.





