Por Luís Lemos, filósofo, professor e escritor
Hoje, no projeto Vozes da Literatura de Manaus (VLM), a leitora e o leitor vão conhecer o universo sensível, crítico e imaginativo de Guaracy Andrade, professor e escritor que, há mais de trinta anos, transforma a palavra em espaço de liberdade, reflexão e criação. Entre a poesia, a narrativa e o pensamento literário, sua obra percorre caminhos onde o fantástico, o surreal e a inquietação humana se encontram, revelando uma escrita marcada pela profundidade estética e pelo compromisso com a formação cultural. Que este encontro seja um convite ao diálogo, ao encantamento e à valorização das vozes que pensam e reinventam Manaus por meio da literatura.
VLM – Quem é Francisco Guaracy Andrade da Silva?
Sim, este é o meu nome, mas assino como Guaracy Andrade. Sou professor de Língua Portuguesa e Literatura, formado em Letras, com mestrado em Estudos Literários pela UFAM (Universidade Federal do Amazonas). Sou escritor e, neste ano, comemoro 30 anos da publicação do meu primeiro livro, Versos Urbanos (poesia). Atualmente, estou em processo de aposentadoria do magistério. Tenho cinco livros publicados e outros quatro no prelo.
VLM – O que o inspirou a se tornar escritor?
Comecei a ler Maria José Dupré, Manoel Bandeira e Cecília Meireles ainda na pré-adolescência. Por influência do meu irmão, oficial da Marinha Mercante, iniciei a escrita de poesias aos 12 anos de idade.
VLM – Quantos livros você já publicou e quais são eles?
Sou autor de cinco livros, que transitam entre a poesia, a crítica literária, a novela e o romance. Minha estreia ocorreu em 1996, com Versos Urbanos, publicado pela EDUA, seguido de Concreto Armado (1999), também pela EDUA, ambos marcados pela intensidade poética e pelo diálogo com o cotidiano. Em 2020, publiquei A Trajetória do Narrador de Dom Casmurro, resultado de minha dissertação acadêmica, pela Editora Dialética. Na prosa de ficção, lancei Os Intrusos do Salão Nobre (2023), novela publicada pela JV Publicações, e, mais recentemente, Os Habitantes do Jardim de Inverno (2025), um romance satírico pela Oráculo Company Books.
VLM – Como você se define no campo literário? Considera-se mais contista, poeta ou romancista, ou transita por diferentes gêneros?
Eu me defino como escritor. Gosto de transitar pelos gêneros literários. O único com o qual não me identifico é a crônica. A crônica é muito real, palpável. Prefiro a fantasia, o fantástico, o surreal e o psicodélico. A realidade é chata e repetitiva; a fantasia é libertadora. Basta imaginar.
VLM – De que forma a literatura de Manaus e a cultura local influenciam sua escrita?
A cultura amazônica influencia profundamente minha escrita, pois hoje me identifico intensamente com os rios e a floresta. Antes, não. Eu não gostava de ser associado a um escritor amazônico, nascido em Manaus e, de certa forma, obrigado a falar de arara, boto e tucunaré. Hoje, sinto-me um correspondente da Amazônia literária. Amo tudo o que nos remete à natureza. Meu último romance tematiza a preservação do planeta e tudo o que nele há de natural.
VLM – Quais desafios você enxerga para quem produz literatura em Manaus hoje?
Os desafios são inúmeros: editoras com preços mais acessíveis, livros mais baratos, jovens mais interessados em nossa literatura, academias mais empenhadas na difusão da boa literatura e menos na promoção de nomes. Precisamos de mais oficinas, cursos livres de conto e crônica, e não apenas saraus.
VLM – Que mensagem você deseja transmitir aos leitores por meio de seus livros?
A mensagem que transmito é, sobretudo, aos jovens: ler pode ser tão divertido quanto uma partida de futebol. Ler não é chato. Ler transforma uma vida a partir da última página lida. Meus livros procuram valorizar as artes, a cultura e a preservação do meio ambiente. O futuro é logo ali.
VLM – Deixe uma mensagem às leitoras e aos leitores do Fato Amazônico.
Minha mensagem é que a literatura amazonense, produzida no Amazonas, tem uma qualidade extraordinária. Temos excelentes escritores, dignos de prêmios, como Milton Hatoum, além de muitos outros que escrevem intensamente. Consumam literatura amazonense. Homenageiem escritores vivos, valorizem obras de temática regional e adquiram livros de diferentes gêneros de autores amazônicos. Assim, o cidadão amazônida poderá conhecer melhor a cultura do povo que vive aqui.





