
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que espera construir uma relação mais estável com os Estados Unidos às vésperas do encontro com Donald Trump, marcado para esta quinta-feira (24), em Washington. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi defendeu que os dois países devem atuar como “parceiros, não rivais” e afirmou que a lógica de coexistência pacífica entre as duas potências continua válida.
A reunião ocorre durante a primeira visita de Xi a Washington em mais de uma década. Na quarta-feira (23), Trump recebeu o presidente chinês e sua esposa, Peng Liyuan, na Joint Base Andrews, em Maryland, em uma cerimônia que contou com banda militar e salvas de canhão. Os dois líderes conversaram brevemente antes do encontro oficial desta quinta-feira.
As relações entre China e Estados Unidos continuam marcadas por disputas comerciais, tecnológicas e geopolíticas. O encontro deve abordar temas como comércio, inteligência artificial, Taiwan e a guerra no Irã. Os dois países também trabalham para manter uma trégua comercial que havia sido estabelecida anteriormente.
A inteligência artificial deve ocupar parte importante das conversas. Trump afirmou que a chamada superinteligência será um dos assuntos discutidos durante a reunião. Washington e Pequim competem pelo desenvolvimento de tecnologias avançadas de IA, ao mesmo tempo em que discutem mecanismos para reduzir os riscos relacionados a sistemas capazes de produzir impactos sobre a segurança nacional.
Entre as possibilidades em discussão está a criação de um mecanismo de comunicação entre os dois países para alertar sobre incidentes graves envolvendo inteligência artificial. A proposta busca evitar que eventuais falhas ou ações inesperadas de sistemas avançados provoquem crises entre as duas potências.
Outro assunto sensível será Taiwan. A ilha é administrada de forma autônoma, enquanto Pequim considera o território parte da China e defende sua reunificação. Os Estados Unidos mantêm relações não oficiais com Taiwan e fornecem equipamentos militares para sua defesa, política que é fortemente contestada pelo governo chinês.
Antes da reunião, autoridades chinesas voltaram a pressionar Washington em relação à venda de armas para Taiwan. Pequim considera a questão um dos principais pontos de tensão na relação bilateral e tem pedido que os Estados Unidos interrompam novos acordos militares com a ilha.
Em dezembro, o governo Trump aprovou um pacote de US$ 11 bilhões em armamentos para Taiwan, enquanto outro acordo, estimado em US$ 14 bilhões, permanece pendente. A venda de armas é apontada como um dos temas que podem gerar divergências durante as conversas entre Xi e Trump.
O porta-voz do Ministério da Defesa da China, Jiang Bin, afirmou que os Estados Unidos precisam agir com “extrema cautela” em relação a novas vendas de equipamentos militares para Taiwan. Segundo ele, a manutenção da paz e da estabilidade no Estreito de Taiwan é uma questão central para as relações entre os dois países.
Jiang também defendeu que os contatos militares entre China e Estados Unidos sejam mantidos de maneira estável e sustentável. A declaração ocorre em meio a esforços de ambos os governos para evitar que as disputas comerciais, tecnológicas e territoriais provoquem uma escalada nas tensões.
O encontro desta quinta-feira representa a terceira reunião presencial entre Trump e Xi desde o retorno do republicano à Presidência dos Estados Unidos. Apesar dos sinais públicos de aproximação, os dois governos continuam divergindo sobre comércio, tecnologia, Taiwan e outras questões estratégicas.







