A pandemia trouxe uma série de mudanças no ambiente educacional. A transição para o ensino a distância forçou as escolas a reavaliarem suas práticas, materiais e metodologias. O período de estudos integralmente em casa acabou, mas as mudanças que ele trouxe se estabeleceram. 

Uma pesquisa inédita realizada pela ABRASPE, Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais, em parceria com a H2R Insights & Trends, revelou que, entre escolas particulares, a adoção de plataformas de ensino foi de 54% em 2020 a 77% em 2025. Dentre as respostas da pesquisa, o principal ponto de valorização das plataformas é o suporte para comunicação entre professores e alunos em sala de aula (52%).  

Além dela, estão como principais pontos a disponibilidade de informações acessíveis tanto para professores quanto para alunos (29%) e a funcionalidade de aplicação de lição de casa (19%), que contribui para a continuidade do aprendizado fora da sala de aula. Isso indica a preferência por ferramentas que promovem a interação e facilitam o acompanhamento do desempenho dos alunos.  

“As plataformas de ensino são ambientes educacionais estruturados com conteúdo, ferramentas pedagógicas e recursos de acompanhamento e de personalização do ensino em um ecossistema único”, explica Tiago Bossi, presidente da ABRASPE. “No contexto atual da educação, marcado por transformações rápidas e pela presença cada vez mais forte da tecnologia no dia a dia de alunos, famílias e da própria escola, as plataformas se tornam aliadas estratégicas, unindo o on e o off-line e promovendo o acesso ao conhecimento também no ambiente digital, sem deixar de lado a intencionalidade pedagógica”.  

A pesquisa conversou com mais de 1.500 pessoas, entre alunos, pais, professores e gestores escolares, de todas as regiões do Brasil.   

Material didático digital também teve crescimento 

Desde a pandemia, a adoção do material didático digital teve um grande crescimento nas escolas particulares. Até 2020, somente 55% das instituições utilizavam os recursos didáticos de forma digital. Em 2025, o número cresceu para 83%.  

A evolução da adoção mostra a necessidade de inserção no ambiente digital. A tendência deve se manter, mas com menor intensidade em futuras projeções, segundo o levantamento. 

Ainda assim, vale pontuar que o material didático digital ainda não é predominante nas salas de aula. Na pesquisa, os estudantes entrevistados apontaram que o recurso pedagógico mais utilizado em suas escolas é o físico, das editoras. Além disso, dentre as escolas entrevistadas, praticamente todas do ensino médio adotam o material didático físico de editora.  

O que os pais buscam nas escolas?  

A qualidade do ensino segue sendo o principal diferencial para os pais na escolha da escola (55%). Valores éticos, morais e humanos vêm em segundo lugar (25%), seguido por proximidade/localização (20%). 

Há uma percepção também sobre os métodos de ensino sendo ofertados nas escolas particulares. Segundo a pesquisa, 58% dos pais entrevistados declaram que a escola adota o método tradicional de ensino. A metodologia Construtivista tem uma fatia de 15%, Sociointeracionista 8%, Montessoriana 6% e Waldorf 5%, sempre segundo os pais. 

Já no Ensino Fundamental, os dados são semelhantes tanto nos anos iniciais quanto nos finais, com a maioria das escolas optando pelo método tradicional em detrimento do Construtivista. Nestes níveis, cresce a presença do método Sociointeracionista e diminui o Montessoriano.  

Panorama de escolas e profissionais 

Além de avaliações sobre materiais e sistemas de ensino, a pesquisa traz também um panorama geral sobre as escolas, as metodologias ofertadas, o número de alunos e os diferenciais das instituições. 

Quanto ao público atendido, a maioria está na classe B (45%). A classe C aparece em segundo lugar, com 28%, seguida pela A (22%) e D-E, com 4%.  

Em relação ao número de estudantes, grande parte das escolas atende até 200 alunos por segmento, sendo que os menores números estão no Ensino Médio, onde 38% possuem até 100 alunos. As escolas que atendem mais níveis concentram maior número de estudantes, mas as instituições com mais de 500 alunos ainda são minoria. 

Quanto aos professores, o levantamento mostra o investimento no docente como parte relevante do orçamento das escolas. Cerca de 32% do orçamento das instituições de ensino destina-se ao aperfeiçoamento e treinamento de professores. Inclusive, investir na formação contínua dos profissionais mostrou-se predominante, já que 86% têm investimentos neste sentido. 

Ensino de competências socioemocionais tem ampla aprovação 

A pandemia trouxe um crescimento na preocupação com a saúde mental e o bem-estar dos alunos. Desde então, uma das principais tendências do segmento educacional é o desenvolvimento socioemocional. 

Atualmente, cerca de 70% dos profissionais das escolas que responderam à pesquisa entendem que suas instituições têm materiais que desenvolvem a competência socioemocional.  

Nesse contexto, é possível perceber uma efetividade no ensino dessas habilidades. De acordo com o levantamento, há um alto índice de aprovação entre a comunidade escolar. 94% dos profissionais, 93% dos alunos e 89% dos pais declaram-se satisfeitos com os materiais socioemocionais. Além disso, 98% das escolas percebem resultados positivos após sua implementação. 

Com que futuro a comunidade escolar sonha? 

As expectativas sobre o futuro da educação variam entre diferentes grupos da comunidade escolar e revelam um cenário marcado pelo contraste entre avanço tecnológico e valorização das relações humanas. Educadores, alunos e pais apresentam visões distintas sobre como deve ser a escola nos próximos anos. 

Entre os educadores, o desejo predominante é por equilíbrio. Dados indicam que 36% apontam acolhimento e inclusão como prioridades, enquanto 33% destacam a necessidade de mais suporte e estrutura. A visão é de uma escola moderna e flexível, mas que mantenha o caráter presencial e relacional. 

Já os estudantes projetam um cenário mais voltado à tecnologia. Para 67%, o futuro da educação será totalmente digital, com aulas mais dinâmicas, menos monótonas e sem o uso de cadernos, com a aprendizagem ocorrendo em ambientes virtuais, totalmente digitalizados, inclusive com alguns alunos imaginando não haver prédios físicos. 

Os pais, por sua vez, apresentam uma visão intermediária. Embora 49% reconheçam a tecnologia como pilar central, há preocupação com o uso excessivo de telas e seus impactos no pensamento crítico e na saúde física e mental. O cenário desejado por esse grupo combina inovação tecnológica com foco em humanização e empatia, mantendo a escola como espaço de convivência e desenvolvimento integral. 

Acesse aqui a íntegra da pesquisa da ABRASPE. 

Sobre a ABRASPE – A Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (ABRASPE) atua no Brasil desde 2021, e surgiu para unir empresas, escolas e alunos por uma educação de qualidade e incentivar empresas atuantes no segmento de sistemas de ensino. Buscando o desenvolvimento do setor, a Associação quer conectar as inovações pedagógicas dos sistemas com as instituições e estudantes.  

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