O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), tomou posse no início da noite desta segunda-feira (4), em cerimônia na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), em Manaus, ao lado do vice, Serafim Corrêa (PSB). Ele assume o comando do Executivo estadual após eleição indireta unânime entre os deputados, em meio a um cenário político ainda em reorganização para 2026.

Em seu primeiro discurso como chefe do Executivo, Cidade tratou de delimitar prioridades e adotou um tom direto ao colocar saúde e segurança pública no centro da gestão. Segundo ele, a resposta do governo nessas áreas será imediata e firme.

“Quem vive no Amazonas sabe que a saúde é prioridade absoluta. Na segurança pública serei firme, no meu governo o crime não terá espaço para atuar”, afirmou, ao sinalizar uma linha dura no combate à criminalidade.

Além do discurso voltado às áreas sensíveis, o novo governador reforçou que pretende manter a estabilidade administrativa e dar continuidade a projetos estratégicos já em andamento, evitando rupturas no curto prazo. A estratégia, segundo ele, passa necessariamente pelo equilíbrio fiscal.

Cidade defendeu que não há espaço para improviso nas contas públicas e que a responsabilidade fiscal será a base para ampliar investimentos e melhorar a entrega de serviços à população.

“Não existe governo eficiente sem responsabilidade fiscal. Vamos governar com planejamento, transparência e seriedade, garantindo que cada recurso chegue onde realmente precisa chegar”, destacou.

Foco na gestão, não na eleição

Na primeira coletiva após a posse, o governador evitou antecipar mudanças no secretariado e indicou que qualquer decisão será tomada somente após alinhamento com o vice. A prioridade, segundo ele, é iniciar imediatamente o trabalho à frente do Estado.

“Acabei de tomar posse. Ainda temos compromissos hoje e amanhã vamos tratar disso com o vice, caso haja mudanças”, disse.

Questionado sobre uma eventual disputa eleitoral, Cidade foi categórico ao afastar o tema do momento atual e reforçou que sua atenção está concentrada no curto período de governo.

“Não tenho tempo para pensar em eleição. Tenho oito meses para deixar nossa marca no Amazonas”, afirmou.

A fala reforça a estratégia de concentrar esforços na gestão e na construção de resultados concretos, em um período considerado decisivo para consolidar sua imagem política diante do eleitorado.

A solenidade de posse reuniu autoridades, parlamentares e lideranças políticas, incluindo o prefeito de Manaus, Renato Junior, além de representantes de diferentes esferas do poder público.

Rito da posse e discurso ampliam tom político e institucional

A cerimônia teve início às 18h, no plenário Ruy Araújo da Aleam, com a execução do Hino Nacional interpretado pela cantora Lucilene Castro, acompanhada ao piano por Carlinhos Bandeira. Em seguida, o novo governador fez o juramento constitucional e assinou o termo de posse às 18h12, após leitura conduzida pela deputada estadual Alessandra Campelo.

O ato foi conduzido pelo presidente da Casa, Adjuto Afonso, e contou com a presença de autoridades como o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, Jomar Ricardo Fernandes, e a presidente do Tribunal de Contas do Estado, Yara Lins.

Após receber a faixa de governador das mãos da primeira-dama, Thaisa Cidade, o novo chefe do Executivo classificou o momento como histórico e reforçou o tom de gratidão pela eleição indireta.

“Esse é um dia histórico para o Amazonas. Sinto-me honrado pela confiança depositada em mim”, declarou.

Cidade também fez questão de agradecer ao ex-governador Wilson Lima pela confiança e destacou que pretende governar com diálogo e apoio da população, especialmente dos que vivem a realidade do interior.

“Ninguém governa sozinho. Precisamos do apoio de todos, especialmente do nosso povo ribeirinho, que enfrenta todos os anos as cheias e vazantes com coragem”, afirmou.

No discurso, ele ampliou o foco para áreas como educação e inclusão, dando ênfase especial às crianças e ao fortalecimento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), defendendo investimentos capazes de transformar o futuro da população.

“A educação muda destinos e transforma gerações”, disse.

Eleito por unanimidade após a renúncia do então governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza, Cidade assume até 5 de janeiro de 2027, tornando-se o primeiro governador escolhido por eleição indireta no estado, conforme o rito previsto na Constituição do Amazonas.

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