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O ativista brasileiro Thiago Ávila, preso após a interceptação de uma flotilha humanitária que seguia para a Faixa de Gaza, estaria sofrendo ameaças dentro da prisão em Israel. Segundo familiares, ele teria sido intimidado por agentes e ouvido que poderia permanecer preso por até 100 anos.

As informações foram divulgadas pela esposa do brasileiro, Lara Souza, que relatou condições severas de detenção. De acordo com ela, Thiago está isolado em cela solitária, com luzes acesas durante 24 horas por dia, situação que estaria causando privação de sono e desorientação.

Ainda segundo o relato da família, o brasileiro enfrenta frio intenso, é mantido vendado sempre que deixa a cela — inclusive para atendimentos médicos — e vem sendo submetido a longos interrogatórios, que podem durar até oito horas.

Os questionamentos das autoridades israelenses estariam focados principalmente na atuação da Global Sumud Flotilla, organização responsável pela missão humanitária. Para a defesa do ativista, a condução do caso indica uma tentativa de criminalizar a iniciativa.

A Justiça de Israel determinou, no domingo (3), a prorrogação da prisão de Thiago Ávila e do ativista espanhol Saif Abu Keshek por mais dois dias. Uma nova audiência está marcada para esta terça-feira (5), ao meio-dia, no horário local.

Segundo os advogados do brasileiro, foram apresentadas cinco acusações ligadas à suspeita de associação com terrorismo e colaboração com inimigos em período de guerra. A defesa afirma, porém, que não existem provas formais contra o ativista e que nenhuma denúncia oficial foi apresentada até o momento.

Thiago Ávila foi preso na última quarta-feira (29) durante uma operação das forças israelenses contra embarcações da Global Sumud, grupo que transportava ajuda humanitária para Gaza. A interceptação ocorreu em águas internacionais, próximas à Grécia.

A organização de direitos humanos Adalah informou que o brasileiro relatou agressões físicas durante a abordagem. Segundo o depoimento, ele teria sofrido espancamentos e chegado a desmaiar durante a ação.

A flotilha reunia aproximadamente 22 embarcações e cerca de 175 ativistas de diferentes nacionalidades, todos colocados sob custódia durante a operação, conforme os organizadores.

O governo israelense afirma que integrantes da missão possuem ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade acusada de atuar em favor do Hamas. Já os organizadores negam qualquer vínculo e sustentam que a ação possui caráter exclusivamente humanitário.

Os governos do Brasil e da Espanha divulgaram nota conjunta criticando a prisão dos ativistas e alegando que a ação viola normas do direito internacional.

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