
O Fantástico deste domingo (3) traz o resultado da investigação da morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, após receber uma dose incorreta de adrenalina na veia no Hospital Santa Júlia, em Manaus. O caso, que chocou o país, expõe uma sequência de falhas no atendimento médico e amplia a lista de responsabilizados.
De acordo com a investigação, além da médica Juliana Brasil Santos, responsável pela prescrição, e da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia, que aplicou o medicamento, dois diretores da unidade de saúde também foram responsabilizados pela morte do menino.
Benício deu entrada no hospital no dia 22 de novembro com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. Segundo a família, o tratamento incluía lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, aplicadas em intervalos curtos — procedimento que teria agravado rapidamente o quadro clínico.
Após a administração do medicamento, o menino apresentou sinais críticos: ficou pálido, com membros arroxeados e relatou que “o coração estava queimando”. A saturação caiu drasticamente, e ele foi levado à UTI, onde sofreu seis paradas cardíacas antes de morrer na madrugada do dia 23.
O caso é investigado como homicídio doloso qualificado pelo delegado responsável, que considera inclusive a possibilidade de crueldade. A médica segue em liberdade por decisão judicial, enquanto o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) abriu processo ético para apurar a conduta dos profissionais.
Imagens exibidas pelo programa mostram a família dentro do hospital durante quase 14 horas, acompanhando o agravamento do estado de saúde da criança.
A defesa de Juliana Brasil Santos afirma que houve falha no sistema automatizado do hospital, que teria alterado a via de administração do medicamento. Segundo os advogados, problemas na plataforma podem ter contribuído para o desfecho trágico.
O caso reacende o debate sobre segurança em atendimentos pediátricos e a responsabilidade de profissionais e instituições de saúde em situações de emergência.







