Aline Massuca/Metrópoles

A estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos, foi a primeira testemunha ouvida no quarto dia do julgamento do caso Henry Borel, nesta quinta-feira (28/5), no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A mãe dela, Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, também depôs.

A pedido da testemunha, Jairinho deixou o plenário durante o depoimento. Já Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e também ré no processo, acompanhou a oitiva. O júri teve a presença de Fabiano Lopes, advogado de Jairinho, que não compareceu anteriormente devido a um infarto ocorrido no último sábado (23/5).

Em depoimento, Kaylane reafirmou ter sofrido agressões físicas do réu durante a infância. Relatou também que conheceu Jairinho aos 3 anos, quando a mãe iniciou um relacionamento que durou cerca de 7 anos com o então vereador. As agressões, segundo ela, aconteceram do meio para o fim desse período.

Em depoimentos anteriores, Kaylane já havia relatado episódios de violência praticados por Jairinho, incluindo tentativas de afogamento em uma piscina.

Nesta quinta, ela voltou a detalhar as agressões e afirmou que tinha medo de denunciar o caso à época. “Era tudo junto. Ele pegava a minha cabeça, ficava batendo na quina, depois torcia o meu braço, me dava socos na cabeça. Depois eu ia embora para casa”, contou.

Jovem relatou ter sentido culpa pela morte de Henry Borel

Durante o depoimento, Kaylane também afirmou que se sentiu culpada pela morte de Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. “Eu me senti muito culpada. Se eu tivesse falado, talvez não chegasse ao que chegou”, disse.

A estudante afirmou ainda que Jairinho dizia que ela atrapalhava o relacionamento dele com a mãe. “Ele dizia que, se eu não existisse, ia ser muito melhor. Que eu atrapalhava ela e que, se fosse só ele e a minha mãe, a vida dela seria melhor”, relatou.

Segundo Kaylane, ela costumava acompanhar a mãe e Jairinho em locais que acredita serem motéis. Em um dos episódios, contou que o então vereador a afundava em uma piscina existente no quarto.

“A gente ia para esses lugares, ele me dava socos na cabeça, apertava meu braço muito forte. Em um desses quartos, tinha uma piscina e ele ficava me afundando até eu bater no chão da piscina”, afirmou.

A jovem disse que as agressões não deixavam marcas aparentes e relatou que era orientada a não contar nada à mãe.

Ela também afirmou que passou a desenvolver medo de Jairinho ainda durante o relacionamento. “Sempre que via o carro dele chegando, eu corria e vomitava”, disse.

Kaylane contou que revelou as agressões apenas após o término do relacionamento entre a mãe e Jairinho. Segundo ela, a decisão aconteceu depois de testemunhar outra criança sendo agredida.

“Eu vi uma criança apanhando dos pais e comecei a chorar muito. Minha avó perguntou o que aconteceu e eu comecei a dizer que ele me batia muito”, lembrou.

Mãe depõe

Na sequência, Natasha de Oliveira Machado também prestou depoimento ao júri. Ela afirmou que Jairinho foi seu primeiro relacionamento após a separação do pai de Kaylane e disse que só descobriu as agressões sofridas pela filha depois do fim da relação.

Segundo Natasha, o medo da influência política de Jairinho e do pai dele, o Coronel Jairo, em Bangu, na zona oeste do Rio, a impediu de denunciar o caso anteriormente.

A mãe de Kaylane também afirmou que suspeitava ser dopada pelo ex-vereador. Em uma das ocasiões, contou ter fingido tomar um comprimido oferecido por ele e, durante a madrugada, flagrou Jairinho levantando a menina da cama.

Ao ser questionado, ele teria alegado que a criança havia acordado.

Natasha ainda relatou episódios de perseguição após o término do relacionamento e afirmou que Jairinho espalhou uma foto íntima dela pelas ruas de Bangu.

“Ele dizia que ninguém mais iria me assumir e que era melhor eu voltar. Estava escrito: ‘Meu nome é Natasha, moro na rua tal em Bangu e quem botou meu peito foi o vereador Jairinho’”, contou.

A testemunha afirmou que nunca sofreu agressões físicas durante o relacionamento. Pórem, identificou episódios de violência psicológica após a separação.

Natasha também negou ter sido orientada por Leniel Borel, pai de Henry, sobre os depoimentos prestados no processo. Segundo ela, a decisão de procurar a família do menino foi tomada em conjunto com a filha. O depoimento terminou por volta das 13h.

Débora Mello, outra ex-namorada de Jairinho também foi ouvida pouco antes das 15h. O filho dela teria sofrido uma fratura no fêmur após uma agressão cometida por Jairinho.

Com informações do Metrópoles.

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