
Apesar de conteúdos nas redes sociais questionarem a relação entre colesterol elevado e doenças cardiovasculares, novas evidências científicas continuam apontando o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, como um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da aterosclerose e de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Uma pesquisa publicada recentemente na revista científica JAMA mostrou que a redução dos níveis de LDL esteve associada à diminuição do risco de eventos cardiovasculares em pessoas consideradas de alto risco, mesmo sem histórico prévio de infarto ou AVC.
O estudo analisou dados de 3.655 participantes com diabetes que integraram o levantamento internacional VESALIUS-CV. Os pesquisadores acompanharam os voluntários por quase cinco anos para avaliar os efeitos do medicamento evolocumabe, pertencente à classe dos inibidores de PCSK9.
Os resultados indicaram que os pacientes tratados com o medicamento, em associação às estatinas, alcançaram níveis médios de LDL de 44 mg/dL e apresentaram redução adicional do risco cardiovascular em comparação aos que utilizaram apenas estatinas. Segundo os pesquisadores, o tratamento se mostrou seguro mesmo com taxas bastante reduzidas de colesterol LDL.
Embora frequentemente associado a problemas de saúde, o colesterol desempenha funções importantes no organismo. A substância participa da formação das membranas celulares, da produção de hormônios e da síntese da vitamina D. O problema surge quando há excesso de LDL circulando no sangue, favorecendo o acúmulo de gordura nas paredes das artérias.
O transporte do colesterol ocorre por meio de lipoproteínas. Enquanto o LDL pode contribuir para a formação de placas de gordura, o HDL, conhecido como “colesterol bom”, auxilia na remoção desse excesso da circulação.
Alimentação e estilo de vida seguem como pilares da prevenção
Especialistas destacam que pessoas com diabetes, histórico familiar de doenças cardiovasculares precoces, tabagismo, hipertensão arterial, obesidade abdominal ou síndrome metabólica devem ter atenção redobrada ao controle do colesterol.
Outro marcador importante é a lipoproteína (a), cuja elevação pode indicar maior predisposição genética ao desenvolvimento de placas nas artérias.
Além do tratamento medicamentoso quando indicado, a prevenção cardiovascular continua baseada em hábitos saudáveis. A prática regular de atividade física, o controle do peso corporal e uma alimentação equilibrada permanecem entre as principais recomendações médicas.
Novas diretrizes da Associação Americana do Coração reforçam a importância de priorizar padrões alimentares saudáveis em vez de focar apenas em nutrientes isolados. Entre as orientações estão o aumento do consumo de frutas, verduras, legumes e grãos integrais, além da redução da ingestão de gorduras saturadas.
Especialistas recomendam optar por cortes magros de carne, retirar a gordura aparente dos alimentos e priorizar preparações assadas, cozidas ou grelhadas. Também é aconselhável escolher versões com menor teor de gordura de leite e derivados.
Segundo os profissionais da área, a combinação entre alimentação adequada, atividade física e acompanhamento médico continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de doenças cardiovasculares e preservar a saúde do coração a longo prazo.
Com informações de Metrópoles







