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Um relatório divulgado nesta semana pelo Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH, na sigla em inglês) aponta um aumento expressivo de ameaças e discursos de ódio direcionados a membros do Congresso dos Estados Unidos após mudanças nas políticas de moderação de conteúdo da Meta, controladora do Facebook.

O estudo analisou quase oito milhões de comentários publicados na plataforma direcionados a 100 congressistas norte-americanos nos seis meses anteriores e posteriores à flexibilização das regras de moderação implementada pela empresa.

Segundo o levantamento, as ameaças contra parlamentares quadruplicaram no período analisado. Os casos de assédio mais que dobraram, enquanto comentários com conteúdo racista ou misógino também registraram crescimento significativo.

O relatório identificou ainda aumento de mensagens violentas direcionadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre os exemplos citados está um comentário que defendia um atentado contra o mandatário.

Para Imran Ahmed, diretor-executivo do CCDH, a redução da fiscalização sobre conteúdos considerados abusivos contribui para a normalização de ameaças e intimidações contra autoridades públicas.

“Quando as plataformas deixam de aplicar suas próprias regras contra ameaças, ódio e assédio, acabam contribuindo para a normalização desse tipo de comportamento”, afirmou.

Meta contesta conclusões

Procurada sobre o estudo, a Meta informou que divulga regularmente relatórios de transparência para monitorar conteúdos que violam suas políticas e afirmou que os índices de discurso de ódio não apresentaram aumento ao longo de 2025.

A empresa também declarou que não comentaria especificamente as conclusões do CCDH, alegando que não teve acesso ao relatório antes de sua publicação.

As mudanças nas políticas da Meta ocorreram em janeiro de 2025, quando a companhia encerrou o programa de checagem de fatos nos Estados Unidos. Em seu lugar, passou a adotar um sistema de “notas da comunidade”, modelo que permite aos próprios usuários adicionar contextos e correções a publicações potencialmente enganosas.

A decisão gerou debates sobre os limites entre liberdade de expressão e combate à desinformação. Críticos argumentam que a redução da moderação pode favorecer a disseminação de conteúdos ofensivos e violentos, enquanto defensores da medida afirmam que ela amplia a liberdade de manifestação dos usuários.

Nos últimos anos, autoridades eleitorais e representantes políticos dos Estados Unidos têm relatado aumento de ameaças, intimidações e episódios de assédio relacionados ao ambiente político cada vez mais polarizado no país.

Com informações de IstoÉ

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