Com a estiagem já em curso no Amazonas, o governador Roberto Cidade reuniu, nesta sexta-feira (14), órgãos estaduais para acelerar a preparação de uma operação destinada principalmente às comunidades que podem ficar isoladas com a redução do nível dos rios. A estratégia prevê distribuição de alimentos, água potável, kits de higiene e limpeza, além de reforço nas áreas de saúde e combate a incêndios florestais.

Durante a reunião do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, realizada no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), Cidade afirmou que o desafio é antecipar a logística para que a assistência consiga alcançar municípios e comunidades mais distantes antes do agravamento das condições de navegação.

“Cada uma [das secretarias] destacou como pode colaborar para que a gente possa chegar mais rápido lá na ponta, levando insumos, alimentos, combustível, kits de higiene, proteína, para o nosso povo nesse momento tão crítico em que eles ficam isolados”, declarou o governador.

Cidade também destacou que procurou o Governo Federal para articular uma resposta conjunta à estiagem.

“Recentemente, fui ao Governo Federal, para que a gente possa trabalhar em conjunto, Governo Federal, Estadual e Municípios para minimizar o sofrimento do nosso povo, lá na ponta, nas comunidades, nos municípios mais longínquos”, afirmou.

Operação será dividida em quatro fases

O planejamento humanitário foi organizado de acordo com o comportamento previsto dos rios em cada região do Amazonas.

A primeira etapa, entre agosto e outubro, terá como prioridade os municípios das calhas do Alto Solimões, Juruá e Purus. Madeira, Médio Solimões e Baixo Solimões serão contemplados na segunda fase, entre agosto e novembro.

A terceira etapa ocorrerá de setembro a novembro, abrangendo Médio Amazonas e Baixo Amazonas. A última fase está prevista entre novembro e fevereiro e será direcionada à calha do Rio Negro.

Entre os itens previstos para distribuição estão cestas básicas, kits de higiene e limpeza, carne, frango, caixas-d’água de 500 litros e purificadores.

O Amazonas está em Estado de Emergência Climática e Ambiental, decretado preventivamente no início de junho. Desde abril, órgãos estaduais realizam reuniões técnicas e ações de preparação para o período de seca.

243 purificadores já foram distribuídos

A Defesa Civil informou que os 62 municípios amazonenses receberam capacitações envolvendo planos de contingência, procedimentos para decretação de situação de emergência e outras medidas preventivas.

Até agora, 243 purificadores de água foram entregues em diferentes calhas de rios. Outros 16 municípios receberam réguas linimétricas para acompanhamento do nível das águas.

O sistema estadual também contabilizou 328 alertas, sendo 103 hidrológicos, 134 geológicos e 91 meteorológicos.

“Nós da Defesa Civil já estamos monitorando esse fenômeno há algum tempo, para tentar minimizar justamente esses impactos. Esse é um trabalho integrado, uma união de forças para poder dar uma resposta positiva para as pessoas que vão necessitar de ajuda”, afirmou o secretário estadual da Defesa Civil, coronel Mauro Freire.

Quase 500 bombeiros por dia contra incêndios

A preparação para a seca também envolve o risco de aumento dos incêndios florestais e das queimadas. O Corpo de Bombeiros informou que a Operação Amazonas Mais Verde 2026 mantém uma média diária de quase 500 militares em serviço, principalmente no interior, além de aproximadamente 150 viaturas.

A estrutura permanente da corporação também foi ampliada. Entre 2025 e 2026, o número de municípios com bases passou de 11 para 25. O planejamento prevê a implantação de quartéis em outros sete municípios.

Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleiso Muniz, menos de 600 ocorrências de incêndios haviam sido atendidas no interior até o momento.

“Esse é um serviço muito bem planejado, organizado e que tem se refletido nos números”, afirmou.

Sema e Ipaam também deverão intensificar o monitoramento de focos de calor, fiscalização ambiental e ações de orientação a agricultores e produtores rurais.

Na área da segurança, operações como Protetor dos Biomas e Tamoiotatá integram a estratégia de prevenção e combate aos incêndios. Segundo o secretário de Segurança Pública, coronel Anézio Paiva, o Ministério da Justiça e Segurança Pública já foi informado sobre a situação e poderá prestar apoio, inclusive com aeronaves, caso seja necessário.

Saúde prepara rede para fumaça e calor extremo

Os efeitos da estiagem sobre a saúde também estão sendo monitorados. Entre as principais preocupações estão calor extremo, falta ou contaminação da água e deterioração da qualidade do ar provocada pela fumaça das queimadas.

O secretário estadual de Saúde, Luis Alberto Saraiva, afirmou que houve reforço no quantitativo de médicos para os próximos meses e que as unidades receberam orientações específicas.

“A Secretaria de Saúde está pronta para atender os pacientes, neste ano que vai ser um ano bem desafiador, tanto em relação à estiagem quanto em relação às queimadas”, declarou.

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP), por sua vez, informou ter distribuído mais de 3 milhões de frascos de hipoclorito de sódio aos municípios para auxiliar no tratamento da água destinada ao consumo humano.

A estratégia apresentada pelo governo é antecipar medidas para evitar que o agravamento da estiagem comprometa o abastecimento, o atendimento de saúde e a chegada de ajuda humanitária às localidades mais vulneráveis, especialmente aquelas cuja principal via de acesso são os rios.

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