
Os Estados Unidos realizaram novos ataques contra alvos iranianos nesta segunda-feira (2/11), véspera das eleições de meio de mandato norte-americanas. A informação foi confirmada à agência Associated Press (AP) por uma autoridade dos EUA, que falou sob condição de anonimato.
Segundo a imprensa estatal iraniana, explosões foram registradas nas ilhas de Qeshm e Hengam, localizadas no estratégico Estreito de Ormuz, e na região continental de Bandar Abbas.
De acordo com a autoridade norte-americana, a operação teve como alvo forças iranianas que utilizavam mísseis terra-ar contra os Estados Unidos na região. A ofensiva não foi anunciada publicamente pelo governo norte-americano.
Os ataques ocorreram apesar de declarações anteriores do presidente Donald Trump de que não realizaria novas ofensivas contra o Irã antes das eleições legislativas de terça-feira (3/11).
O conflito, que já ultrapassa oito meses, tem provocado impactos na economia internacional, especialmente nos preços do petróleo e dos combustíveis.
Negociações diplomáticas continuam
Apesar da nova ofensiva, representantes dos Estados Unidos e do Irã mantêm contatos diplomáticos para tentar alcançar um acordo.
Antes da confirmação dos ataques, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que ele e Trump estavam otimistas quanto à possibilidade de uma solução negociada.
Segundo autoridades regionais ouvidas pela AP, as negociações incluem uma proposta para que o Irã interrompa ataques no Estreito de Ormuz em troca da suspensão do bloqueio norte-americano aos portos iranianos.
A passagem marítima é considerada estratégica para o comércio internacional de energia, por onde circulava aproximadamente um quinto do petróleo mundial em tempos de paz.
O Irã também apresentou um plano para reabrir a rota marítima e retomar as negociações nucleares com Washington.
Entretanto, as tensões permanecem elevadas. Milhares de militares norte-americanos continuam mobilizados na região, enquanto novos navios e tropas estão sendo enviados ao Oriente Médio.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também teria defendido uma nova série de ataques contra o Irã após as eleições dos Estados Unidos, segundo fontes ouvidas pela AP.
Irã reforça preparação militar
Em meio às negociações, autoridades iranianas anunciaram a ampliação do treinamento de forças paramilitares.
Nesta segunda-feira, foi inaugurado em Teerã um terceiro centro de treinamento militar. O governo pretende preparar aproximadamente 1 milhão de voluntários em 1.500 bases distribuídas pelo país.
A iniciativa envolve integrantes da Basij, organização paramilitar vinculada à Guarda Revolucionária do Irã.
O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que Teerã apresentou uma resposta aos Estados Unidos e que cabe a Washington evitar uma nova escalada militar.
Qalibaf também declarou que as Forças Armadas iranianas permanecem em elevado estado de prontidão.
A retomada dos ataques ocorre em um momento de incerteza política nos Estados Unidos, onde os eleitores decidirão a composição do Congresso nas eleições de meio de mandato.
Com informações da AP News







