
Joilson Souza
Quem aprende a se defender nos fundos do terreiro, ali onde a vida ensina sem fazer alarde sabe que força não é só barulho. Tem hora que a gente precisa se encolher, mas não de medo. É de estratégia. É de saber que o outro não merece nem o suor da nossa resposta.
Olha só o escorpião: quando sente perigo, não sai correndo batendo o ferrão à toa. Ele junta o corpo, encosta no canto, se faz de morto. Quem olha de longe pensa que desistiu. Mentira. Ele só tá se curando ali, quieto, no escuro. A dor que queriam jogar nele, ele vai transformando em casca grossa. Ninguém vê o choro, mas todo mundo sente depois a força de quem não se quebrou.
E tem a borboleta. Dizem que ela é frágil, que qualquer vento leva. Mas ninguém lembra do tempo que ela passou no casulo, encolhida, parecendo nada. Ela também se escondeu. Também pareceu derrota. Só que quando abre a asa, o mundo inteiro se espanta. Não é que ela fugiu da briga. É que ela descobriu outro jeito de voar. A sua beleza encanta até seus inimigos!
Quando juntam os dois o escorpião que se encolhe e a borboleta que se refaz … a gente entende o recado: não precisa enfrentar veneno com veneno. Tem hora que o melhor golpe é sumir, se catar por dentro, e voltar diferente. E quem queria te ver menor nem vai entender. Vai ter que aplaudir…
A gente não vence quem nos ataca batendo de frente. A gente vence quando aquilo que era pra nos machucar vira casulo, e o casulo vira asa. E aí, meu bem, não tem mais prisão. O medo que os outros sentiam da nossa defesa vira respeito. E o respeito vira distância. E a distância vira liberdade.





