
O último debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas antes do primeiro turno elevou o tom da campanha na noite de terça-feira (29), na TV Amazonas. Em meio a confrontos sobre contratos públicos, impostos, viagens e gestão estadual, um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Maria do Carmo (PL) acusou Roberto Cidade (União Brasil) de agressão contra a ex-mulher. Cidade negou a acusação e afirmou ter sido absolvido pela Justiça.
O encontro, mediado pelo jornalista César Menezes, reuniu David Almeida (Avante), Isael Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo e Roberto Cidade. Foi a última oportunidade de confronto direto na televisão antes da votação de domingo (4).
Maria do Carmo leva caso da ex-mulher de Cidade ao debate
A discussão ocorreu durante um confronto entre Maria do Carmo e Roberto Cidade. A candidata afirmou que existiria registro de ocorrência envolvendo o adversário e sua ex-mulher. Reportagem publicada após o debate registra que Maria citou um boletim de ocorrência referente a outubro de 2024.
Cidade negou ter agredido a ex-companheira e sustentou que o episódio se resumiu a uma discussão por mensagens.
“Foi uma discussão no WhatsApp que logo foi esclarecido isso. Eu não respondo a nada. Tenho uma boa relação com a minha ex-esposa, tive três filhos, tive um casamento muito, muito exitoso que não deu certo e seguimos em frente”, declarou.
O governador afirmou ainda que uma decisão judicial favorável a ele comprovaria sua versão. A existência da acusação e a negativa de Cidade foram noticiadas após o debate; a documentação judicial completa não foi localizada nas fontes consultadas para esta matéria.
Viagem ao Caribe vira dívida de R$ 27 milhões no contra-ataque de David
Outro confronto duro ocorreu entre Maria do Carmo e David Almeida. A candidata cobrou explicações sobre uma viagem feita pelo então prefeito de Manaus à ilha de Saint-Martin, no Caribe, durante o Carnaval de 2024, e questionou se as despesas haviam sido pagas com recursos próprios.
David respondeu que custeou a viagem e afirmou que uma representação sobre o episódio havia sido arquivada pelo Ministério Público de Contas.
Na sequência, partiu para o ataque e acusou Maria do Carmo de possuir R$ 27 milhões em débitos tributários, citando IPTU, ISS e ITCMD. A cifra é uma alegação feita por Almeida durante o debate, não uma constatação independente desta reportagem.
“Eu viajei, eu tenho o direito de viajar e eu tenho como comprovar tudo o que eu falei. Agora, a senhora, que não é capaz de pagar os seus tributos, não tem condições morais de cobrar nada de ninguém aqui”, atacou David.
Maria do Carmo rebateu a acusação e apresentou sua versão sobre a situação fiscal das empresas, afirmando que os débitos estavam sendo parcelados e mencionando compensações tributárias.
David acusa Cidade de beneficiar empresas ligadas à família
Roberto Cidade voltou ao centro do confronto quando David Almeida questionou contratos públicos envolvendo empresas às quais o governador teria mantido vínculos.
David acusou Cidade de beneficiar negócios familiares e citou valores milionários recebidos por essas empresas. Em reportagem sobre o embate, Cidade respondeu que deixou as sociedades quando ingressou na vida pública e afirmou que os procedimentos envolvendo contratos foram realizados dentro da legalidade.
Durante o debate, David também relacionou o tema a problemas enfrentados pelo Estado em áreas como saúde e programas sociais.
O confronto entre os dois voltou a subir de temperatura em outros momentos. David questionou a trajetória de Cidade até o Governo do Amazonas, enquanto o governador respondeu que chegou ao cargo por eleição realizada pela Assembleia Legislativa, conforme o procedimento constitucional, e lembrou que recebeu inclusive o voto do deputado Daniel Almeida, irmão de David.
Ataques pessoais dominam reta final
As sucessivas acusações colocaram Maria do Carmo, Roberto Cidade e David Almeida no centro dos embates mais ásperos da noite. O último debate repetiu uma característica observada em encontros anteriores da campanha: propostas para saúde, segurança e desenvolvimento dividiram espaço com questionamentos sobre patrimônio, contratos, vida pessoal e atos praticados pelos candidatos em cargos públicos.
A temperatura do confronto ganha peso especial porque ocorre na reta final de uma disputa apertada pelas posições seguintes. Pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro apontava Omar Aziz com 29%, enquanto Maria do Carmo aparecia com 19% e Roberto Cidade com 18%, tecnicamente empatados considerando a margem de erro de três pontos percentuais. David Almeida registrava 11%. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro e foi registrado sob o número AM-01856/2026.







