O Amazonas registrou um crescimento de 45% nas apreensões de drogas entre janeiro e maio de 2026, segundo dados divulgados pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). No período, foram retiradas de circulação 25,751 toneladas de entorpecentes, contra 17,712 toneladas apreendidas nos cinco primeiros meses de 2025.

O resultado reflete o fortalecimento das ações integradas de combate ao crime organizado, com operações realizadas por terra e pelos rios do estado, além do uso ampliado de tecnologia e inteligência policial.

De acordo com o governador Roberto Cidade, os números demonstram a eficácia dos investimentos realizados para fortalecer as forças de segurança.

“O aumento nas apreensões de drogas mostra que estamos enfrentando o crime organizado com planejamento, integração e ações permanentes. A Operação Segurança Presente ampliou a capacidade de investigação e resposta das nossas Forças de Segurança, que realizam um trabalho conjunto forte, coeso e que tem gerado resultados concretos na proteção da população e no enfraquecimento das organizações criminosas”, afirmou.

O secretário de Segurança Pública, Anézio Paiva, destacou os investimentos feitos pelo Governo do Amazonas para ampliar a presença policial em áreas estratégicas, especialmente nos rios.

“O Governo do Amazonas tem sempre investido em novas ferramentas que possibilitam aumentar a presença das nossas polícias não só em terra, mas, principalmente, nos nossos rios, como as novas lanchas blindadas, as Bases Arpão e, agora, o mais recente Vant, que está operando com sobrevoo nos rios. Com isso, iremos aumentar ainda mais a nossa produtividade e fortalecer a segurança da nossa população”, ressaltou.

Para o diretor do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), delegado Rodrigo Torres, o avanço nos números evidencia a eficiência das ações de inteligência e investigação.

“O crescimento de 45% nas apreensões evidencia a eficiência das ações de inteligência e investigação, além da atuação integrada das forças de segurança. Para o Amazonas, esse resultado fortalece a segurança pública e enfraquece financeiramente os grupos criminosos que utilizam o estado como rota para o tráfico”, destacou.

A Operação Segurança Presente também reforçou a atuação investigativa da Polícia Civil no interior do estado. As ações contam ainda com o apoio da Polícia Científica, do Corpo de Bombeiros Militar e de toda a estrutura tecnológica coordenada pela SSP-AM.

Operação integrada em todo o estado

Os resultados são atribuídos às ações da Operação Segurança Presente, iniciativa do Governo do Amazonas desenvolvida em parceria com o programa Brasil Contra o Crime Organizado, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

A operação ampliou o efetivo empregado nas ações de segurança, com 420 servidores atuando no interior e outros 400 na capital. As atividades são realizadas de forma integrada tanto nas sedes municipais quanto em comunidades ribeirinhas dos 61 municípios do estado.

Bases fluviais impulsionam resultados

Mais da metade das drogas apreendidas em 2026 teve origem em operações realizadas nos rios do Amazonas. Ao todo, 13,487 toneladas de entorpecentes, equivalentes a cerca de 52% do total apreendido no ano, foram interceptadas com apoio das Bases Fluviais, causando prejuízo superior a R$ 309 milhões às organizações criminosas.

Coordenadas pela SSP-AM, as Bases Fluviais Arpão 1 e 2, além das embarcações Tiradentes e Paulo Pinto Nery, atuam em municípios estratégicos como Coari, Barcelos, Itacoatiara e Parintins, expandindo suas operações para outras regiões do estado.

Segundo o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteiras e Divisas (GGI-F/SSP-AM), major Diego Magalhães, as embarcações desempenham papel fundamental no combate aos crimes transfronteiriços.

“O impacto delas é percebido no combate ao tráfico de drogas, armas e outros ilícitos, refletindo diretamente nas apreensões e na repressão às organizações criminosas que utilizam as calhas fluviais como rotas. Além disso, contribuem para a redução do tempo de resposta, o apoio às operações no interior e o aumento da sensação de segurança da população ribeirinha”, afirmou.

Maior apreensão do ano ocorreu no rio Solimões

Entre os destaques de 2026 está uma operação realizada em fevereiro nas proximidades de Manacapuru, quando as forças de segurança apreenderam 4,3 toneladas de drogas, além de dez armas de fogo de grosso calibre, três mil munições, carregadores, lanchas e motores.

A ação foi conduzida pela Polícia Militar, por meio do então Batalhão Guarani, em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/PF-AM), Polícia Civil do Amazonas, Grupo Especial de Fronteira do Mato Grosso (Gefron-MT) e Polícia Nacional do Peru.

De acordo com o comandante do Bope, major Ricardo Lemos, os resultados são consequência de uma estratégia baseada em inteligência, monitoramento constante e pronta resposta operacional.

“O diferencial da COE, agora Bope, sempre foi a capacidade de unir essas duas frentes, com o operador atuando em todas as etapas da operação, da produção da informação até a execução. Outro fator fundamental para esses resultados é a integração com outros órgãos e agências, já que o enfrentamento ao narcotráfico na Amazônia exige cooperação permanente entre forças de segurança, inteligência e instituições parceiras”, explicou.

Bope projeta ampliação das ações

No último dia 2 de junho, foi aprovado o projeto que transformou a antiga Companhia de Operações Especiais (COE) em Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), permitindo maior integração com unidades semelhantes de outros estados.

A mudança fortalece a estrutura administrativa, logística e operacional da corporação, ampliando sua capacidade de atuação.

“Com a aprovação da criação do batalhão, o objetivo agora é ampliar ainda mais essa capacidade, fortalecendo o efetivo especializado, expandindo o núcleo de inteligência, investindo em tecnologia de monitoramento, reconhecimento e vigilância remota, além de intensificar a integração com órgãos nacionais e internacionais. A meta é aumentar a capacidade de antecipação, neutralizar rotas criminosas, enfraquecer financeiramente as organizações criminosas e reforçar a presença do Estado nas áreas mais sensíveis da Amazônia”, concluiu o major Ricardo Lemos.

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