
Em um cenário em que a presença digital se tornou peça fundamental para campanhas e mandatos, o especialista em marketing político e digital Gabriel Araújo faz um alerta que contraria uma prática comum entre políticos e assessorias: transformar as redes sociais em vitrines exclusivas de trabalho.
Com mais de 12 anos de experiência em estratégias eleitorais, gerenciamento de crises e comunicação digital, Gabriel afirma que o maior erro de muitos agentes públicos é acreditar que publicar apenas agendas, reuniões e atividades institucionais é suficiente para conquistar a confiança do eleitor.
Segundo ele, as redes sociais foram criadas para aproximar pessoas e, por isso, valorizam conteúdos autênticos e humanizados. Para o especialista, o eleitor se conecta muito mais com a pessoa por trás do cargo do que com uma sequência interminável de publicações sobre compromissos oficiais.
“O político não é um robô e ninguém trabalha 24 horas por dia. Quando a rede social mostra apenas trabalho, ela deixa de revelar quem é aquela pessoa de verdade”, afirma.
Autor do livro “Desvendando os Segredos das Redes Sociais”, Gabriel destaca que momentos simples do cotidiano podem gerar mais identificação do que uma agenda institucional cuidadosamente planejada. Entre os exemplos citados estão atividades familiares, hobbies, passeios com animais de estimação, hábitos pessoais e até situações corriqueiras que fazem parte da rotina de qualquer cidadão.
Na avaliação do especialista, é justamente nesses momentos que ocorre a conexão emocional entre o político e seu público. Quando o eleitor percebe gostos, comportamentos e experiências semelhantes às suas, a relação deixa de ser apenas informativa e passa a ser baseada na identificação.
Para Gabriel Araújo, mostrar apenas reuniões, visitas e despachos pode transmitir uma imagem artificial e distante. Já a exposição equilibrada dos bastidores ajuda a construir credibilidade e proximidade, elementos cada vez mais valorizados pelos algoritmos das plataformas digitais e pelos próprios usuários.
Ele ressalta ainda que as redes sociais privilegiam conteúdos que geram engajamento humano. Por isso, a comunicação política precisa ir além da divulgação de ações administrativas e apresentar a personalidade, os valores e a rotina de quem ocupa ou pretende ocupar um cargo público.
“O que aproxima de verdade é aquilo que normalmente ninguém vê. É quando as pessoas enxergam o ser humano por trás da função”, conclui.
A reflexão ganha ainda mais relevância em um período de pré-campanha eleitoral, quando candidatos e lideranças políticas intensificam sua presença digital em busca de ampliar alcance, fortalecer imagem e criar vínculos mais sólidos com o eleitorado.







