
A Âmbar Energia anunciou um pacote de R$ 5,5 bilhões em investimentos para os próximos cinco anos com a promessa de modernizar a infraestrutura de distribuição de energia do Amazonas. O plano inclui expansão e modernização da rede, construção de até 15 novas subestações, retomada do programa Luz para Todos e novas estruturas para reforçar o abastecimento de Iranduba e Manacapuru.
O planejamento foi apresentado no último dia 3, durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Dos R$ 5,5 bilhões anunciados, R$ 3,9 bilhões serão de capital próprio, segundo a companhia. O restante deverá vir de recursos do governo federal destinados ao Luz para Todos e à interligação de municípios ao sistema elétrico.
A empresa assumiu a distribuição de energia no Amazonas em abril deste ano e afirma ter encontrado uma estrutura que necessita de investimentos de grande porte.
“Recebemos um sistema com problemas estruturais, identificamos as prioridades e já começamos a agir. Agora apresentamos um plano concreto de R$ 5,5 bilhões para transformar a infraestrutura elétrica do Amazonas”, declarou o diretor-presidente da concessionária, João Pilla.
Âmbar diz ter recebido sistema com problemas estruturais
Ao apresentar o plano aos deputados, Pilla afirmou que os problemas encontrados pela nova controladora não surgiram agora.
Segundo o executivo, a distribuidora enfrentava havia anos dificuldades financeiras, restrições de investimentos, elevados índices de perdas e uma infraestrutura que necessita de ampla modernização.
“Chegamos aqui para trabalhar com transparência e seriedade. Sabemos dos desafios e estamos preparados para entregar à população de todo o Amazonas uma energia mais segura e confiável, sustentada por uma infraestrutura mais moderna e robusta”, afirmou.
O diagnóstico apresentado pela companhia coincide, em linhas gerais, com problemas já apontados anteriormente pelo Ministério de Minas e Energia. Em relatório produzido em fevereiro de 2024, portanto antes da entrada da Âmbar, um grupo de trabalho do MME classificou a situação econômico-financeira da então Amazonas Energia como “insustentável”, destacando endividamento elevado, inadimplência, perdas e insuficiência de caixa.
O documento apontava que a dívida líquida havia alcançado R$ 9,6 bilhões em setembro de 2023 e alertava para riscos à continuidade e à qualidade do serviço.
Até 15 novas subestações
Entre os investimentos de maior porte anunciados pela Âmbar está a ampliação da estrutura de subestações.
O planejamento prevê 12 novas unidades até 2028, podendo chegar a 15 ao longo dos cinco anos. A expectativa da concessionária é aumentar a capacidade do sistema e preparar a rede para o crescimento da demanda.
Iranduba e Manacapuru estão entre as prioridades. A empresa afirma ter identificado necessidade de reforço estrutural para atender os dois municípios e prevê a construção de uma nova rede.
Também deverão ser executadas obras de expansão da distribuição, revitalização das estruturas existentes e implantação de equipamentos e tecnologias de monitoramento.
Luz para Todos será retomado
Outro eixo do pacote é a retomada do Luz para Todos no Amazonas.
Parte dos R$ 1,6 bilhão que completa o pacote de R$ 5,5 bilhões — além dos R$ 3,9 bilhões anunciados como capital próprio — está associada a repasses federais para o programa e projetos de interligação.
A proposta é ampliar o atendimento, especialmente em localidades do interior que ainda enfrentam limitações de acesso ao serviço.
Perdas chegam a 44%, segundo empresa
Um dos números apresentados pela concessionária durante a audiência expõe a dimensão de outro desafio: aproximadamente 44% da energia injetada na rede não seria faturada, de acordo com os dados da Âmbar.
A empresa atribui parcela relevante dessas perdas a desvios e ligações irregulares.
Além do impacto financeiro, a concessionária sustenta que as irregularidades provocam sobrecarga da rede, aumentam o risco de falhas e prejudicam a capacidade de atendimento aos consumidores.
O plano prevê combater o problema com modernização da infraestrutura, monitoramento tecnológico e regularização das ligações.
Troca de cabos integra modernização
A Âmbar também incluiu no planejamento a substituição gradual de cabos antigos e expostos por condutores concêntricos revestidos.
O tema ganhou atenção em Manaus diante de questionamentos sobre substituições realizadas na rede e relatos de ocorrências envolvendo instalações elétricas. Segundo Pilla, os equipamentos utilizados pela companhia são empregados por distribuidoras de outras regiões e não provocam alteração da tarifa nem do consumo registrado pelos clientes.
A empresa defende que a modernização aumenta a segurança e reduz a exposição da rede a interferências externas.
A relação entre os cabos substituídos e episódios de aquecimento ou incêndios, contudo, passou a ser objeto de questionamentos e apurações de órgãos de controle. Portanto, a segurança e as condições de aplicação dos materiais devem ser tratadas separadamente da alegação da concessionária sobre seus benefícios.
Intervenções já começaram
Enquanto os investimentos estruturais são programados para os próximos cinco anos, a Âmbar afirma que já iniciou intervenções emergenciais em pontos considerados críticos.
As ações incluem manutenção da rede, reforço de estruturas, substituição de equipamentos e obras para aumentar a capacidade do sistema.
Pilla ponderou que os resultados mais amplos não serão imediatos.
“Em se tratando de energia, mudanças estruturais exigem planejamento, investimento e tempo de execução. É exatamente isso que está previsto no plano que apresentamos à Aneel”, declarou.
O presidente da concessionária afirmou ainda que a meta é transformar a operação amazonense “em uma distribuidora que seja referência em inovação e qualidade”.
Empresa explica reajuste nas contas
Durante a audiência, Pilla também foi questionado sobre as contas de energia.
O executivo afirmou que a tarifa é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e citou reajuste de 3,79%. Segundo ele, a fatura individual também pode variar conforme o consumo, especialmente durante os meses mais quentes, quando cresce o uso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores.
A tarifa final ainda reúne componentes relacionados à geração e transmissão de energia, encargos setoriais, tributos e custos da distribuição.
Com o pacote anunciado, a Âmbar coloca R$ 5,5 bilhões como principal aposta para enfrentar problemas acumulados durante anos no sistema elétrico amazonense. A execução das obras, o cumprimento dos valores anunciados e a evolução dos indicadores de qualidade e perdas deverão mostrar, ao longo dos próximos anos, o efeito concreto do plano para os consumidores.







