O empresário Marcelo Checon, apontado como amigo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, firmou 13 contratos com o governo federal nos últimos três anos, em negócios que totalizam aproximadamente R$ 63,4 milhões. Checon é proprietário da MChecon Design e Cenografia, empresa especializada na montagem e produção de estruturas para eventos e que já trabalhou em grandes eventos como Rock in Rio, Lollapalooza e os carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Os contratos foram celebrados com diferentes órgãos da administração federal e incluem o Palácio do Planalto e os ministérios da Fazenda, Educação, Cultura, Trabalho e Emprego, Desenvolvimento e Assistência Social, Turismo e Desenvolvimento Agrário.

As informações foram divulgadas inicialmente pela revista Veja e posteriormente confirmadas pelo SBT News. Os contratos abrangem serviços relacionados à produção de eventos, cenografia e montagem de estruturas, áreas em que a empresa de Checon atua no mercado.

Antes do início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, a MChecon tinha apenas um contrato ativo com o governo federal. Na época, o acordo tinha valor de aproximadamente R$ 197 mil. Desde então, o volume de contratos da empresa com órgãos federais aumentou de forma significativa.

A relação entre Marcelo Checon e Lulinha passou a ser mencionada no contexto de uma investigação da Polícia Federal que apura a suposta atuação do filho do presidente em uma estrutura voltada à intermediação de interesses privados junto ao governo federal.

De acordo com o inquérito, Lulinha teria mantido articulações com a advogada e lobista Roberta Luchsinger e com o empresário Fernando Bittar. A investigação busca esclarecer se o grupo teria atuado para aproximar empresários de integrantes do governo e facilitar o acesso a autoridades e órgãos públicos.

Ainda segundo os investigadores, o grupo teria contado com o auxílio de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ele ocupava o cargo de chefe de gabinete da Presidência da República e, conforme apontado no inquérito, teria ajudado a viabilizar reuniões e o acesso de pessoas ligadas aos empresários ao Palácio do Planalto.

A investigação também apura a relação financeira entre Roberta Luchsinger e Marcola. Segundo o inquérito, a advogada teria começado a pagar despesas pessoais do então chefe de gabinete em 2024.

Os pagamentos mencionados pelos investigadores teriam ultrapassado R$ 217 mil e incluído despesas de caráter pessoal, além da aquisição de joias. A apuração procura identificar a origem dos recursos e verificar se os pagamentos tinham alguma relação com eventuais benefícios ou facilidades obtidos junto à estrutura do governo federal.

A existência dos contratos da MChecon com a administração pública, porém, não significa, por si só, que haja irregularidade nos negócios. A investigação da Polícia Federal busca justamente esclarecer as relações entre os envolvidos e verificar se houve eventual influência indevida, tráfico de influência ou outras práticas ilícitas.

A empresa de Marcelo Checon possui atuação consolidada no setor de eventos e cenografia e já participou de produções de grande porte no país. A MChecon presta serviços relacionados à criação, montagem e execução de estruturas para eventos corporativos, culturais e institucionais.

O aumento do número e do valor dos contratos com o governo federal após 2023 passou a chamar a atenção no contexto das apurações envolvendo pessoas próximas a Lulinha. O empresário, por sua vez, é citado na investigação pela relação pessoal com o filho do presidente, enquanto os contratos da empresa são objeto de levantamento para contextualizar as relações empresariais mencionadas no inquérito.

A Polícia Federal ainda apura os fatos e deverá reunir outros elementos antes de concluir a investigação. Eventuais responsabilidades dependerão da análise das provas e das decisões das autoridades competentes.

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