O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram nesta sexta-feira (28) a Operação Merx, que investiga um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis que atuam na Grande São Paulo. A ação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Corregedoria, e resultou na decretação da prisão preventiva de sete investigados, além de medidas como buscas e apreensões, quebra de sigilo telemático e bloqueio de patrimônio.

Entre os alvos das prisões estão quatro policiais civis, um advogado e duas pessoas apontadas pelas investigações como responsáveis pelo pagamento de vantagens indevidas aos agentes públicos. A Justiça também autorizou o sequestro e bloqueio de bens dos investigados em um valor que pode chegar a R$ 4 milhões.

Além das prisões, um investigador foi afastado das funções públicas por determinação judicial. Ele também está proibido de manter contato com outros investigados e com testemunhas relacionadas ao caso.

De acordo com o MPSP, a investigação aponta que policiais civis teriam exigido pagamentos ilegais para evitar a apreensão completa de cargas de produtos eletrônicos provenientes de descaminho. Os agentes são suspeitos de cobrar valores equivalentes a aproximadamente 70% do preço das mercadorias em troca da devolução de parte dos produtos ou da não apreensão integral dos carregamentos.

Os investigadores identificaram, até o momento, movimentações que somam aproximadamente R$ 2,35 milhões relacionadas ao suposto esquema. A apuração busca determinar como os valores eram negociados, pagos e posteriormente movimentados para ocultar a origem do dinheiro.

Um dos episódios analisados ocorreu em 17 de junho de 2024, quando uma carga de celulares foi apreendida. Segundo a suspeita levantada pelo Ministério Público, apenas parte dos aparelhos teria sido oficialmente registrada como apreendida, enquanto o restante teria sido devolvido de maneira irregular.

O caso envolvendo a carga de celulares é considerado um dos elementos utilizados pelos investigadores para reconstruir a possível atuação do grupo. A partir das informações reunidas durante a apuração, o Ministério Público passou a investigar a existência de outros episódios semelhantes envolvendo cargas de produtos eletrônicos.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes endereços. As equipes estiveram em imóveis localizados nos estados de São Paulo, Paraná e Goiás, além de unidades policiais relacionadas aos investigados.

A operação também mobilizou a estrutura interna da Polícia Civil. Após o cumprimento das medidas judiciais, a Corregedoria Geral da Polícia Civil realizou correições extraordinárias nas unidades que foram alvo da ação. O objetivo é verificar eventuais irregularidades administrativas e identificar se outros agentes podem ter participado ou tido conhecimento das práticas investigadas.

A investigação também apura a possível utilização de mecanismos para ocultar ou dissimular os recursos obtidos com as vantagens indevidas. Por isso, além das acusações relacionadas à corrupção, o caso envolve suspeitas de lavagem de dinheiro.

O bloqueio de até R$ 4 milhões em bens determinado pela Justiça tem como objetivo preservar patrimônio que possa estar relacionado aos crimes investigados e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos ou cumprimento de outras determinações judiciais caso as suspeitas sejam confirmadas.

O nome da operação, Merx, faz referência ao termo utilizado para designar mercadoria, em alusão às cargas de produtos eletrônicos que aparecem no centro das investigações.

As autoridades ainda não consideram encerrada a apuração. O material recolhido durante as buscas deverá ser analisado pelos investigadores, que também pretendem aprofundar a identificação das pessoas envolvidas, a forma de atuação do grupo e a extensão do esquema.

O Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Civil continuam trabalhando para esclarecer a participação individual de cada investigado. Eventuais responsabilidades criminais serão definidas ao longo do processo, a partir das provas reunidas e das decisões da Justiça.

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