
A polícia da Nigéria informou nesta quinta-feira (27) que está conduzindo com cautela as operações para localizar e resgatar centenas de pessoas sequestradas durante um ataque a uma mesquita no Estado do Níger, na região centro-norte do país. As autoridades ainda não conseguiram determinar o número exato de vítimas, enquanto equipes de segurança ampliam as buscas para tentar encontrar os reféns e identificar os responsáveis pelo ataque.
O porta-voz da Polícia do Estado do Níger, Wasiu Abiodun, afirmou que uma operação desse tipo exige planejamento e cuidado para evitar que os próprios reféns sejam colocados em risco. Segundo ele, as forças de segurança precisam avaliar as condições do local e as informações obtidas junto às comunidades antes de avançar com uma ação de resgate.
“Operações de resgate são trabalhos muito delicados e altamente técnicos. Precisamos ter muito cuidado. Ao tentar salvar vidas, não podemos causar mais danos”, declarou Abiodun durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira.
A dimensão do sequestro ainda é desconhecida. De acordo com o policial, as autoridades continuam conversando com moradores e outras pessoas que possam ajudar a esclarecer quantas vítimas foram levadas pelos criminosos.
A suspeita de que centenas de pessoas tenham sido sequestradas ganhou força no domingo (23), quando um grupo armado divulgou imagens nas redes sociais. O vídeo, publicado no Facebook e no WhatsApp, mostraria, segundo moradores da região, aproximadamente 600 mulheres, crianças e idosos que teriam sido capturados durante o ataque.
O episódio ocorreu em uma mesquita localizada no distrito de Borgu, no Estado do Níger. Uma autoridade regional que falou à agência Reuters sob condição de anonimato afirmou que cerca de 30 pessoas teriam sido mortas pelos criminosos durante a ação. O número de mortos, porém, ainda depende de confirmação oficial.
O ataque provocou uma forte reação do governo nigeriano. Na terça-feira (25), o presidente Bola Tinubu determinou que as Forças Armadas e outras agências de segurança iniciassem imediatamente uma operação para localizar os sequestrados e tentar garantir a libertação das vítimas.
A operação envolve diferentes órgãos de segurança e ocorre em uma região onde grupos criminosos armados têm ampliado a atuação. A polícia afirma que o trabalho precisa ser realizado de maneira coordenada para evitar confrontos que possam colocar em perigo as pessoas mantidas como reféns.
Durante a coletiva desta quinta-feira, a Comissária de Segurança Interna da Nigéria, Maurica Magaji, informou que novos recursos e apoio estão sendo encaminhados para reforçar os esforços da polícia. A expectativa é que o aumento da estrutura permita ampliar as buscas e melhorar a capacidade de resposta das forças de segurança.
O caso ocorre em meio a uma onda de sequestros em diferentes regiões da Nigéria. A prática de capturar grandes grupos de pessoas para exigir pagamentos de resgate se tornou recorrente principalmente em áreas do norte, noroeste e centro-norte do país.
Gangues fortemente armadas costumam realizar incursões em comunidades rurais, aldeias, escolas e estradas. Em muitos casos, os criminosos aproveitam a dificuldade de acesso a determinadas regiões e a fragilidade da segurança local para atacar populações vulneráveis.
Mulheres, crianças e idosos estão entre os grupos frequentemente atingidos por esses ataques. As vítimas podem ser levadas para áreas de difícil acesso, o que aumenta a complexidade das operações de resgate e dificulta a obtenção de informações precisas sobre seu paradeiro.
As autoridades ainda trabalham para confirmar a quantidade de pessoas sequestradas no ataque à mesquita de Borgu. Enquanto isso, as forças de segurança mantêm as operações de busca e procuram reunir informações junto às comunidades afetadas.
O governo nigeriano enfrenta pressão para encontrar os sequestrados e responsabilizar os envolvidos no ataque. A prioridade declarada pelas autoridades, no entanto, é garantir a segurança dos reféns durante todo o processo, evitando uma intervenção precipitada que possa provocar novas mortes.







