EFE/JALAL MORCHIDI

Mais de 48 mil migrantes que chegaram à cidade de Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África, já retornaram ao Marrocos, segundo informações divulgadas pelo governo da Espanha. O retorno em massa ocorre após uma das maiores ondas migratórias já registradas na região, que levou cerca de 50 mil pessoas ao território espanhol desde quinta-feira (30) e deixou ao menos 67 mortos.

Ceuta é um território espanhol cercado pelo Marrocos e faz parte da União Europeia. Por sua localização estratégica na costa africana, a cidade se tornou uma das principais portas de entrada para migrantes que tentam chegar ao continente europeu.

De acordo com as autoridades espanholas, a pressão na fronteira diminuiu significativamente após o retorno da maior parte dos migrantes. Apesar disso, a travessia ainda não foi totalmente interrompida. Imagens registradas pela agência Reuters neste domingo (2) mostram que grupos continuam tentando alcançar Ceuta pelo mar, mesmo com o reforço das medidas de segurança.

Como resposta à crise, a Guarda Civil da Espanha iniciou a instalação de uma barreira flutuante de aproximadamente 500 metros de extensão na região do quebra-mar de Tarajal, um dos principais pontos utilizados por migrantes para contornar a fronteira terrestre entre Ceuta e Marrocos.

Segundo o governo espanhol, a estrutura permanecerá entre 30 e 70 centímetros acima do nível da água e se estenderá cerca de um metro abaixo da superfície, funcionando em conjunto com uma linha de boias fixadas no local. Um corredor será mantido para permitir a circulação das embarcações da Guarda Civil durante as operações de patrulhamento.

Apesar da iniciativa, representantes do sindicato da Guarda Civil avaliam que a barreira, por si só, não será suficiente para impedir novas travessias. A entidade defende o envio de pelo menos 200 policiais adicionais para reforçar a fiscalização na fronteira marítima e ampliar a capacidade de resposta diante de novas tentativas de entrada.

A recente onda migratória provocou uma grave crise humanitária na fronteira entre a União Europeia e o norte da África. Segundo as autoridades espanholas, ao menos 67 corpos foram encontrados no lado espanhol da fronteira. Parte das vítimas morreu afogada durante a travessia, enquanto outras perderam a vida ao serem esmagadas na tentativa de escalar o quebra-mar e as cercas de proteção.

As equipes de resgate continuam realizando buscas na região, e o número de mortos pode aumentar à medida que as operações avançam.

Entre os sobreviventes está Iman, uma migrante que relatou ter perdido as duas filhas durante a travessia. Em entrevista à Reuters, ela afirmou que conseguiu chegar a Ceuta acompanhada do filho, mas ainda não sabe o paradeiro das meninas.

“Estou aqui com meu filho, mas não sei onde minhas filhas estão. Os nomes delas são Aya e Malak. Não sei onde elas estão”, declarou.

O episódio reacende o debate sobre a política migratória europeia e os desafios enfrentados pelos países que fazem fronteira com rotas de migração irregular. Enquanto a Espanha reforça a vigilância em Ceuta, organizações humanitárias alertam para os riscos enfrentados por milhares de pessoas que continuam tentando cruzar o Mediterrâneo e outras fronteiras em busca de proteção ou melhores condições de vida.

Artigo anteriorZagueiro do Real Madrid será julgado por pornografia infantil
Próximo artigoWorkshop discute desenvolvimento urbano sustentável com moradores de Presidente Figueiredo