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Um novo estudo internacional reforça a hipótese de que o asteroide responsável pela extinção dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos, provocou tempestades de fogo extremamente intensas que teriam matado grande parte dos animais em poucas horas. Segundo os pesquisadores, o calor gerado após o impacto chegou a ser 17 vezes superior ao limite considerado letal para os seres humanos.

A pesquisa apresenta uma nova explicação para os efeitos imediatos da colisão que marcou o fim do período Cretáceo. Embora estudos anteriores já indicassem que o impacto provocou incêndios florestais em escala global, a nova análise sugere que o fenômeno foi ainda mais severo do que se imaginava.

De acordo com os cientistas, o asteroide vaporizou enormes quantidades de rochas ao atingir a Terra. Parte desse material foi lançada para as camadas superiores da atmosfera e, posteriormente, espalhada por praticamente todo o planeta.

À medida que esses fragmentos resfriavam, transformavam-se em pequenas esferas de vidro conhecidas como esférulas. Quando retornavam à superfície terrestre, atingiam velocidades elevadas e convertiam sua energia de movimento em calor, processo semelhante ao observado na entrada de meteoros na atmosfera.

Os pesquisadores afirmam que esse fenômeno criou uma intensa onda de calor capaz de incendiar grandes áreas da superfície terrestre quase simultaneamente.

Além disso, o estudo aponta que uma fina camada de poeira de silicato, formada após a vaporização das rochas, teria funcionado como uma espécie de cobertor térmico ao redor do planeta. Essa camada dificultaria a dissipação do calor para o espaço, elevando ainda mais as temperaturas na superfície.

Segundo os cálculos apresentados pelos autores, os dinossauros e outros animais ficaram expostos a temperaturas extremas, muito superiores ao limite de sobrevivência para a maioria das espécies terrestres.

A pesquisa foi liderada pelo cientista Brandon Johnson, da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, e teve seus resultados publicados na revista científica JGR Biogeosciences na última terça-feira (28).

Os autores ressaltam que o novo modelo ajuda a explicar por que tantas espécies desapareceram em um intervalo relativamente curto após o impacto do asteroide, reforçando a hipótese de uma extinção em massa causada não apenas pelos incêndios, mas também pelo calor extremo gerado em escala planetária.

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que ainda existem limitações importantes. Até o momento, as evidências que sustentam essa nova teoria foram encontradas principalmente em regiões da América do Norte.

Segundo a equipe, ainda são necessárias novas análises em outras partes do mundo para confirmar que as tempestades de fogo ocorreram de forma global, como sugere o modelo desenvolvido.

Mesmo com essa ressalva, o estudo representa um avanço na compreensão dos eventos que sucederam a queda do asteroide Chicxulub, considerado um dos acontecimentos mais devastadores da história da Terra. A colisão alterou drasticamente o clima do planeta, desencadeou uma extinção em massa e abriu caminho para o desenvolvimento dos mamíferos, grupo do qual os seres humanos fazem parte.

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