O Ministério da Segurança Nacional da Argentina, por meio da Polícia Federal do país, iniciou nesta quarta-feira (9) o processo de extradição para o Brasil de Diego Hernan Dirísio, conhecido como “Mestre das Armas”.

O argentino é investigado pelas autoridades brasileiras por supostamente ter participado da venda de pelo menos 43 mil armas de fogo destinadas a organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Segundo a Polícia Federal brasileira, Dirísio seria um dos principais traficantes internacionais de armamentos da América do Sul.

De acordo com o Ministério da Segurança Nacional argentino, o investigado seria levado sob forte esquema de segurança até o Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, onde estava previsto o embarque em um voo com destino a São Paulo às 11h45.

Investigação aponta organização internacional

Segundo as investigações brasileiras, Dirísio atuava ao lado da sócia Julieta Vanessa Nardi Aranda em uma organização especializada no tráfico internacional de armas.

As apurações apontam que, desde 2012, o grupo teria importado aproximadamente 25 mil pistolas, fuzis e munições de fabricantes europeus localizados em países como Croácia, Eslovênia, República Tcheca e Turquia.

Os armamentos eram encaminhados legalmente ao Paraguai e, posteriormente, contrabandeados para o território brasileiro.

A investigação também aponta que os números de série das armas eram removidos antes do transporte para o Brasil, numa tentativa de dificultar a identificação e o rastreamento do armamento.

Esquema teria movimentado R$ 1,2 bilhão

De acordo com a Polícia Federal, o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 1,2 bilhão ao longo de três anos.

As autoridades também identificaram uma estrutura financeira utilizada, segundo a investigação, para dificultar o rastreamento dos pagamentos. Os valores seriam movimentados por meio de cambistas informais que atuavam entre o Paraguai e os Estados Unidos e posteriormente enviados à Europa para o pagamento dos carregamentos de armas.

Prisão ocorreu em 2024

As investigações tiveram início em 2020, após a Polícia Rodoviária Federal apreender 23 pistolas e dois fuzis na Bahia.

Na época, Dirísio era presidente de uma empresa voltada à importação e comercialização de armas, enquanto Julieta Nardi ocupava a vice-presidência.

O argentino foi preso em fevereiro de 2024, em Córdoba, após ser alvo de um mandado de prisão internacional e de um alerta vermelho da Interpol emitido a pedido das autoridades brasileiras. Desde então, permaneceu sob custódia na província argentina.

Cerca de um mês depois, a Justiça Federal na Bahia solicitou a extradição de Dirísio e de Julieta Nardi para que ambos respondessem aos processos no Brasil.

Defesa nega acusações

A defesa de Diego Hernan Dirísio contesta as acusações apresentadas pela Polícia Federal e afirma que o argentino atuava como importador de armas legalmente habilitado no Paraguai.

Em nota, o advogado afirmou que Dirísio teria importado cerca de 17 mil armas ao longo de mais de uma década, alegando que a maior parte foi comercializada para cooperativas policiais e estabelecimentos legalizados no Paraguai.

A defesa também nega que o investigado tenha comercializado 43 mil armas e contesta os valores atribuídos ao suposto esquema. Segundo o advogado, a acusação apresentada no Brasil estaria relacionada à venda de 92 pistolas, conforme denúncia elaborada pelo GAECO Federal.

O advogado ainda afirmou que Dirísio teria denunciado supostas irregularidades envolvendo empresas e autoridades paraguaias, alegando que isso teria desencadeado uma perseguição contra sua empresa.

Ao final da manifestação, a defesa rejeitou a associação do argentino ao apelido de “Mestre das Armas” e afirmou que a acusação não corresponderia à realidade.

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