Divulgação/ Polícia Militar

Um dos presos na Operação Rei do Pix, deflagrada nesta terça-feira (2), foi identificado como Marcos Aparecido Ferreira Filho, que atua como assistente parlamentar no gabinete da deputada estadual Beth Sahão (PT), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

A ação, realizada pela Polícia Militar em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), investiga um suposto esquema milionário de desvio de recursos públicos na Câmara Municipal de Catanduva, no interior paulista.

Ao todo, mais de 200 policiais militares participaram da operação, que cumpriu mais de 50 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão.

Deputada diz que caso não tem relação com mandato

Procurada pela imprensa, a equipe da deputada Beth Sahão afirmou que os fatos investigados não possuem relação com seu mandato parlamentar na Alesp.

Em nota, o gabinete informou que o episódio está relacionado a acontecimentos ocorridos na Câmara Municipal de Catanduva e que a parlamentar acompanha o caso com atenção.

“Ela acompanha o caso atentamente e espera que tudo seja investigado com firmeza e imparcialidade, mas sempre respeitando o direito à ampla defesa dos acusados. A parlamentar aguarda um posicionamento oficial das autoridades para tomar as medidas necessárias”, informou a assessoria.

Esquema teria movimentado mais de R$ 10 milhões

Segundo o Ministério Público, as investigações apontam que entre 2023 e 2024 foram desviados pelo menos R$ 10 milhões do orçamento da Câmara de Catanduva.

Os promotores destacam, no entanto, que o valor total movimentado pelo esquema pode ser ainda maior.

De acordo com as apurações, os investigados teriam continuado a movimentar recursos obtidos de forma ilícita nos anos seguintes, utilizando mecanismos para ocultar a origem do dinheiro, prática que pode configurar crime de lavagem de capitais.

Empresas de fachada e notas fiscais falsas

Ainda conforme a Promotoria, o grupo investigado teria criado mais de 60 empresas de fachada para simular a prestação de serviços ao Legislativo municipal.

Essas empresas emitiam notas fiscais, recebiam pagamentos com recursos públicos e posteriormente devolviam entre 90% e 95% dos valores aos integrantes do esquema.

As investigações também identificaram supostas fraudes em processos licitatórios e contratos superfaturados utilizados para viabilizar repasses ilegais de até 30% dos valores pagos pela Câmara Municipal.

Bens bloqueados e veículos apreendidos

A Operação Rei do Pix mobilizou 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal, além de policiais militares e equipes da Polícia Civil.

Por determinação da 1ª Vara Criminal de Catanduva, houve bloqueio de bens dos investigados em valores que variam conforme o grau de envolvimento apontado pelas investigações.

Nos casos dos supostos líderes da organização, os bloqueios podem chegar a R$ 20 milhões.

Durante a operação também foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie e outros bens que poderão auxiliar no avanço das investigações.

O caso segue sob apuração das autoridades, que buscam identificar todos os envolvidos e a extensão do suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

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