Jairinho, padrasto de Henry Borel, em julgamento sobre morte de criança • CNN Brasil

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, admitiu nesta terça-feira (2), durante interrogatório no julgamento pela morte de Henry Borel, que costumava brincar de “dar banda” no menino.

A expressão, utilizada por Jairinho durante o depoimento, refere-se a um movimento semelhante a uma rasteira. Segundo ele, a brincadeira era feita enquanto segurava Henry pelo braço e acontecia na presença de familiares de Monique Medeiros.

“Eu já brinquei de dar banda no Henry sim”, declarou o réu.

Jairinho afirmou ainda que realizava a mesma brincadeira com seu próprio filho e negou que os episódios ocorressem de forma escondida.

“Não foi escondido”, disse.

Réu nega ter ficado sozinho com Henry

Durante o interrogatório, o ex-vereador também declarou que raramente permanecia sozinho com Henry Borel.

“Eu nunca levei o Henry nem pra comprar uma bala sozinho”, afirmou.

Segundo Jairinho, a única ocasião de que se recorda ter ficado sem a presença de Monique Medeiros ocorreu quando a babá e uma empregada doméstica também estavam na residência.

O interrogatório integra a fase final do julgamento que apura a morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021.

Emoção durante depoimento

Em determinado momento da audiência, Jairinho chorou ao ser questionado sobre o sobrinho Theo, filho de sua irmã, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O réu afirmou possuir uma relação próxima com o menino e se emocionou ao observar uma fotografia apresentada durante o interrogatório.

As perguntas foram conduzidas por uma advogada da equipe de defesa. Monique Medeiros não acompanhou presencialmente o depoimento do ex-vereador no plenário.

Monique relata controle e ciúmes

Durante seu interrogatório, realizado anteriormente, Monique Medeiros afirmou que o comportamento de Jairinho mudou gradualmente ao longo do relacionamento.

Segundo ela, atitudes inicialmente interpretadas como demonstrações de cuidado evoluíram para situações de controle, ciúmes e violência.

Monique relatou que o relacionamento começou após as eleições municipais de 2020, depois de os dois se conhecerem pelas redes sociais.

De acordo com a acusada, Jairinho passou a monitorar sua localização em tempo real, controlar amizades, roupas e até publicações em redes sociais.

“Não gostava que eu conversasse com homens nem que publicasse fotos de biquíni”, declarou.

Ela também afirmou ter acreditado, em determinado momento, que seu telefone havia sido grampeado, devido ao conhecimento que o então vereador demonstrava sobre sua rotina e deslocamentos.

O julgamento segue no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, onde Jairinho e Monique Medeiros respondem por crimes relacionados à morte de Henry Borel.

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