
A companhia aérea Azul informou que poderá ampliar os cortes em sua malha aérea diante do aumento dos custos operacionais provocado pela alta do combustível de aviação. Segundo o presidente da empresa, John Rodgerson, a estratégia busca preservar o caixa da companhia em meio às incertezas geradas pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
De acordo com o executivo, as principais empresas do setor aéreo têm ajustado suas operações para adequar a oferta à demanda em um cenário de custos mais elevados. A Azul já iniciou reduções em algumas rotas e poderá aprofundar as medidas caso o contexto internacional continue pressionando o preço dos combustíveis.
Os primeiros ajustes ocorreram principalmente na operação internacional. Agora, a tendência é que a companhia concentre esforços na redução da frequência de voos domésticos, sem necessariamente deixar de atender cidades já incluídas em sua malha.
Segundo Rodgerson, a prioridade é preservar a conectividade dos principais centros de operações da empresa, localizados em Campinas, Belo Horizonte e Recife. Em vez de encerrar rotas, a estratégia inicial consiste em diminuir o número de partidas diárias em determinados mercados.
A empresa também avalia reduzir o tempo de utilização das aeronaves para adequar a operação ao novo cenário econômico. O objetivo é evitar custos excessivos em um momento de forte volatilidade no mercado internacional de energia.
Preço do combustível segue influenciado pelo mercado internacional
A decisão ocorre apesar da recente redução anunciada pela Petrobras para o preço do querosene de aviação (QAV). A estatal informou uma queda de 14,2% no valor do combustível a partir de junho, equivalente a uma redução de R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior.
Segundo a Petrobras, a diminuição reflete uma redução parcial das pressões observadas no mercado internacional. Ainda assim, os custos permanecem elevados quando comparados aos níveis registrados antes da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Em abril, a estatal havia promovido um aumento significativo no preço do querosene de aviação, elevando os gastos das companhias aéreas. Na ocasião, representantes do setor informaram que o combustível passou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas.
O impacto está relacionado ao mercado global de petróleo. O Irã ocupa posição estratégica na produção e no transporte da commodity, especialmente devido à sua proximidade com o Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado mundialmente.
Diante de conflitos ou ameaças à circulação marítima na região, investidores tendem a projetar riscos de redução na oferta global, o que contribui para a valorização do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis derivados.
Além do setor aéreo, a alta do petróleo pode afetar diferentes segmentos da economia ao elevar custos logísticos e de transporte, gerando reflexos sobre preços de produtos e serviços.
Com informações de Metrópoles







