
O Brasil foi excluído da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal para a União Europeia após questionamentos relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão afeta produtos como carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, mel, pescado e tripas.
De acordo com as autoridades europeias, o país não apresentou garantias consideradas suficientes sobre a não utilização de determinados antimicrobianos cuja aplicação é restrita ou proibida pelo bloco.
Na relação divulgada anteriormente, o Brasil estava autorizado a exportar diferentes produtos de origem animal para os países da União Europeia. Com a atualização da lista, o país deixou de constar entre os exportadores habilitados nessas categorias.
A medida tem potencial de impacto relevante para o agronegócio brasileiro. Segundo dados do Ministério da Agricultura, a União Europeia representa o segundo maior mercado para as exportações brasileiras de carnes em valor, atrás apenas da China.
Em 2025, o bloco europeu adquiriu cerca de 368 mil toneladas de produtos brasileiros do setor, movimentando aproximadamente US$ 1,8 bilhão. A carne bovina respondeu por mais de US$ 1 bilhão desse total, enquanto as exportações de carne de frango somaram cerca de US$ 762 milhões. O mel também integra a lista de produtos potencialmente afetados.
Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem autorizados a exportar para o mercado europeu.
Exigências envolvem controle e rastreabilidade sanitária
Especialistas apontam que a decisão não está relacionada a um único medicamento específico, mas ao conjunto de exigências adotadas pela União Europeia para monitorar o uso de antimicrobianos na produção animal.
Nos últimos anos, o bloco europeu ampliou as restrições ao uso dessas substâncias como promotores de crescimento, permitindo sua utilização principalmente para finalidades terapêuticas e sob critérios rigorosos de controle sanitário.
Entre os antimicrobianos proibidos ou fortemente restringidos pela legislação europeia estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.
Em resposta às exigências internacionais, o Ministério da Agricultura publicou recentemente normas restringindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns desses produtos no Brasil.
Especialistas afirmam que o país possui dois caminhos para retomar as exportações ao mercado europeu: ampliar as restrições legais ao uso dos antimicrobianos ainda questionados ou implementar sistemas capazes de comprovar, por meio de rastreabilidade e certificação sanitária, que os produtos exportados estão livres dessas substâncias.
Segundo analistas do setor, a rastreabilidade completa das cadeias produtivas é considerada uma das principais exigências para o retorno do Brasil à lista de países autorizados. O processo, porém, demanda investimentos, adequações regulatórias e mecanismos de fiscalização capazes de atender aos padrões exigidos pela União Europeia.
A expectativa é que novas negociações ocorram entre autoridades brasileiras e europeias para buscar uma solução que permita a retomada das exportações dos produtos afetados.
Com informações de G1







