
Bancários realizam uma paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (20) no Amazonas, afetando o atendimento presencial em agências de Manaus e do interior. O movimento antecede uma assembleia marcada para a próxima segunda-feira (24), quando a categoria poderá entrar em estado de greve caso não haja avanço nas negociações da campanha salarial de 2026.
A mobilização integra o Dia Nacional de Mobilização, convocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), juntamente com federações e sindicatos filiados de todo o país.
No Amazonas, diretores do Sindicato dos Bancários e trabalhadores realizam atos em frente às agências, com faixas e distribuição de informativos. A categoria protesta contra o que classifica como “intransigência dos banqueiros” depois de oito rodadas de negociação. A data-base dos bancários é 1º de setembro.
Segundo o Sindicato dos Bancários do Amazonas, houve orientação para atrasar a abertura de unidades de bancos privados, entre elas Bradesco, Itaú e Santander. Na Caixa Econômica Federal, a orientação é de paralisação geral das agências.
Sindicato diz que bancos não apresentaram proposta
O vice-presidente do Sindicato dos Bancários do Amazonas, Daniel Filho, afirmou que a paralisação desta quinta ainda não representa o início formal de uma greve, mas funciona como uma advertência diante do impasse.
“Estamos paralisados hoje, por 24 horas, porque há oito rodadas de negociações, os patrões, que são os donos dos bancos, não apresentaram nenhuma proposta para a gente”, afirmou.
Segundo ele, as propostas discutidas até agora incluíram medidas rejeitadas pelos trabalhadores.
“Ao contrário, eles quiseram reduzir o vale-alimentação, congelar o piso salarial e fazer um reajuste escalonado, ou seja, cada índice diferente para uma categoria, para o nível de bancários. Isso nós não aceitamos”, declarou.
A possibilidade de uma greve ganha força justamente por causa da falta de acordo. Daniel informou que uma assembleia já foi convocada para o dia 24.
“Nós já convocamos, para o próximo dia 24, uma assembleia que, se os patrões não levarem uma proposta digna para os trabalhadores, nós vamos entrar em estado de greve”, alertou.
Bancários querem inflação mais 5% de aumento real
Entre as principais reivindicações está um reajuste que garanta reposição integral da inflação acrescida de 5% de ganho real sobre salários e benefícios.
O presidente do Sindicato dos Bancários do Amazonas, Daniel Batista, afirma que a categoria também reivindica maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
A pauta inclui ainda valorização do piso salarial de ingresso na carreira, aumento do vale-refeição e do vale-alimentação, melhorias no plano de saúde para trabalhadores e dependentes, folga para pessoas com deficiência (PCDs), medidas de combate à violência contra bancários e ampliação das folgas destinadas à doação de sangue.
Atendimento é afetado, mas serviços digitais continuam
Apesar da paralisação, serviços digitais e de autoatendimento continuam disponíveis. Clientes podem utilizar Pix, aplicativos bancários, internet banking e caixas eletrônicos, além de realizar pagamentos e transferências pelos canais eletrônicos.
A mobilização também não altera os vencimentos de contas e boletos.
Quem precisar de atendimento presencial nesta quinta-feira deve verificar previamente se a agência está funcionando e em qual horário, já que a adesão e os efeitos da paralisação podem variar entre as unidades.
A movimentação desta quinta aumenta a pressão sobre as negociações salariais. Caso não haja uma proposta considerada satisfatória até a assembleia de segunda-feira (24), os bancários poderão avançar para o estado de greve, abrindo caminho para uma eventual greve da categoria.







