Crédito: REUTERS/David Becker

O Brasil e a Coreia do Sul assinaram um memorando de entendimento para conectar as reservas minerais brasileiras à cadeia sul-coreana de baterias, semicondutores, veículos elétricos e eletrônicos. Segundo o Broadcast, a parceria prevê intercâmbio técnico nas áreas de regulação, gestão mineral, inovação, tecnologia e sustentabilidade.

O documento foi assinado pelo diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Sousa, e pelo presidente da Korea Mine Rehabilitation and Mineral Resources Corporation (Komir), Hwang Young. Conforme noticiou o Broadcast, o acordo busca ampliar a cooperação institucional e a troca de experiências entre os dois países.

A iniciativa ocorre em meio ao aumento da demanda internacional por minerais críticos, necessários à transição energética e à produção de equipamentos de alta tecnologia. A aproximação combina o potencial mineral brasileiro com a capacidade industrial da Coreia do Sul, um dos principais centros mundiais de fabricação de componentes eletrônicos.

“A Coreia do Sul abriga uma das mais avançadas indústrias de semicondutores, baterias recarregáveis, veículos elétricos e eletrônicos do mundo, enquanto o Brasil detém a segunda maior reserva global de terras raras, elementos essenciais para diversas tecnologias de alto valor agregado”, afirmou a ANM em nota.

As terras raras são utilizadas na fabricação de ímãs de alto desempenho, componentes eletrônicos e equipamentos empregados em diferentes etapas da transição energética. O crescimento dos setores de veículos elétricos, energia renovável e armazenamento de eletricidade aumentou a importância econômica e estratégica desses recursos.

Cooperação técnica e ambiental

O memorando inclui a troca de conhecimentos sobre regulação, administração dos recursos minerais e desenvolvimento tecnológico. Também contempla práticas de sustentabilidade associadas à exploração mineral, à recuperação ambiental e ao encerramento de minas.

A Komir é uma instituição estatal criada pelo governo sul-coreano para atuar na reabilitação de áreas mineradas e no fechamento de empreendimentos. O órgão também promove cooperações internacionais destinadas a assegurar o fornecimento de matérias-primas e apoiar o desenvolvimento da cadeia industrial da Coreia do Sul.

Para a ANM, o acordo foi firmado em um momento “estratégico” para a mineração mundial. A avaliação está relacionada à disputa entre países e empresas pelo acesso a minerais necessários à fabricação de tecnologias de baixo carbono e produtos industriais de maior valor agregado.

A parceria poderá permitir o compartilhamento de experiências sul-coreanas sobre recuperação de áreas degradadas e gestão do fechamento de minas. Do lado brasileiro, a cooperação deverá oferecer à Coreia do Sul maior conhecimento sobre a estrutura regulatória e o potencial mineral do país.

O entendimento não estabelece, por si só, projetos de exploração ou compromissos comerciais para o fornecimento de matérias-primas. O memorando cria uma base institucional para o desenvolvimento de iniciativas conjuntas e para a circulação de informações técnicas entre a ANM e a Komir.

A cooperação também se insere no movimento de diversificação das cadeias globais de suprimento. Para a indústria sul-coreana, o acesso a diferentes fontes de minerais reduz a dependência de poucos fornecedores. Para o Brasil, a aproximação pode contribuir para ampliar a presença do país nas cadeias de tecnologias avançadas, para além da extração e exportação de recursos minerais.

Com informações do Brasil 247.

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