Mesmo com eliminação, Curaçao fez história na Copa do Mundo de 2026 • Divulgação/Fifa

A estreia de Curaçao na Copa do Mundo de 2026 entrou para a história antes mesmo da bola rolar. Com apenas 156 mil habitantes, a ilha caribenha tornou-se a menor nação, em população e território, a disputar o principal torneio de seleções do planeta.

O primeiro desafio, no entanto, foi diante de uma das maiores potências do futebol mundial. A equipe acabou derrotada pela Alemanha por 7 a 1, mas o resultado não apagou o orgulho dos torcedores, que permaneceram nas arquibancadas após o apito final para aplaudir os jogadores, cantar e celebrar o feito histórico de ver o país no Mundial.

Na própria ilha, a classificação para a Copa já era motivo suficiente para festa, independentemente dos resultados dentro de campo.

Para Suzanne Huurman, brasileira que integra a comissão técnica da seleção e é a única mulher entre os 48 chefes de departamentos médicos das equipes participantes do torneio, a paixão pelo futebol aproxima Curaçao e Brasil.

“Acho que a forma de viver o futebol no Brasil e em Curaçao é muito parecida. É um estilo de vida. Não se trata apenas do futebol. As pessoas são alegres, gostam de dançar, de aproveitar e de desfrutar do futebol. O esporte faz parte da felicidade delas”, afirmou.

Na segunda rodada, Curaçao conquistou um resultado histórico ao empatar em 0 a 0 com o Equador, somando o primeiro ponto da história da seleção em Copas do Mundo e mantendo vivas as chances de classificação para as oitavas de final.

Entretanto, a equipe acabou encerrando sua participação após ser derrotada por 2 a 0 pela Costa do Marfim, resultado que confirmou a eliminação ainda na fase de grupos.

Apesar da despedida precoce, Suzanne destacou que o carinho recebido dos brasileiros foi constante durante toda a campanha.

“Sentimos muito carinho. Os jogadores recebem muitas mensagens e demonstrações de apoio de pessoas do Brasil, o que é muito legal. Durante nossa preparação em Curaçao, também havia brasileiros acompanhando os jogos. Esse carinho está muito presente dentro da equipe”, contou.

Brasileira vive o auge da carreira

Natural do Brasil, Suzanne construiu uma carreira de destaque na medicina esportiva, com passagens pelos departamentos médicos de Real Madrid e PSV, além de atuar em grandes competições internacionais, como os Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Mesmo com a experiência acumulada, ela afirma que participar de uma Copa do Mundo representa o ponto mais alto da trajetória profissional.

“A Copa do Mundo é outro nível. Não dá para comparar com um jogo de clube nem mesmo com os Jogos Olímpicos. É algo muito maior e uma experiência completamente diferente”, destacou.

Suzanne revelou ainda que, durante a faculdade de medicina, percebeu que não desejava seguir carreira hospitalar e encontrou na medicina esportiva sua verdadeira vocação. Foi justamente através do futebol que surgiu a oportunidade de integrar a seleção de Curaçao.

“O futebol acaba tornando tudo mais fácil, mais divertido e mais alegre. Ele também une mais as pessoas”, concluiu.

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