
As autoridades da Guiana informaram nesta segunda-feira (20) que o capitão da balsa “MV Barima” e ao menos um integrante da tripulação testaram positivo para maconha após o naufrágio da embarcação ocorrido no último fim de semana. Os dois permanecem sob custódia policial enquanto o governo investiga as causas do acidente, que deixou mortos, desaparecidos e dezenas de feridos. Entre as linhas de apuração estão o possível uso de drogas por membros da tripulação e falhas no controle da lista de passageiros.
Até o momento, dez mortes foram confirmadas pelas equipes de resgate. Outras 67 pessoas, entre elas 15 crianças, foram retiradas com vida da água. Apesar do avanço das buscas, dezenas de ocupantes da embarcação continuam desaparecidos, e as autoridades mantêm as operações de salvamento em uma ampla área da costa do país.
Segundo informações oficiais, a “MV Barima” transportava 133 pessoas no momento do acidente, sendo 116 passageiros e 17 tripulantes. A embarcação fazia o trajeto entre Georgetown, capital da Guiana, e o vilarejo de Port Kaituma, localizado na região noroeste do país, quando virou na noite de sábado (18). As circunstâncias exatas do naufrágio ainda estão sendo investigadas.
As autoridades também apuram se houve falhas no registro dos passageiros embarcados. A suspeita é de que a lista oficial possa não refletir o número real de pessoas a bordo, o que dificulta a identificação dos desaparecidos e o trabalho das equipes de resgate.
A operação de busca foi ampliada e passou a cobrir uma área de aproximadamente 1.040 quilômetros quadrados. Além de mergulhadores especializados, participam da força-tarefa embarcações da Guarda Costeira e embarcações pertencentes ao setor privado de energia, mobilizadas para auxiliar na localização de sobreviventes e vítimas.
De acordo com a imprensa local, o alerta sobre o naufrágio foi emitido às 23h01 de sábado, quando uma torre de controle de tráfego aéreo recebeu um pedido de socorro. A partir desse momento, foi iniciada uma operação de busca e salvamento que segue em andamento.
O ministro de Obras Públicas da Guiana, Juan Edghill, afirmou que os trabalhos nas primeiras horas enfrentaram grandes dificuldades. Segundo ele, a combinação entre a escuridão da noite e a ausência de embarcações equipadas com scanners ou tecnologias de detecção obrigou as equipes a dependerem principalmente da observação visual e da audição para localizar possíveis sobreviventes.
Diante da gravidade do acidente, o primeiro-ministro Mark Phillips determinou a abertura de uma investigação para apurar eventuais falhas operacionais e institucionais relacionadas ao naufrágio. Segundo o governo, todas as circunstâncias do caso serão analisadas, incluindo possíveis atos de negligência, irregularidades na condução da embarcação e o cumprimento das normas de segurança durante a viagem.
Phillips afirmou que qualquer pessoa considerada responsável por imprudência ou má conduta poderá responder judicialmente. Paralelamente às investigações, o governo instalou centros de atendimento para prestar apoio psicológico, orientar familiares e fornecer informações sobre vítimas, sobreviventes e desaparecidos.
O naufrágio é considerado uma das maiores tragédias marítimas recentes da Guiana e reacendeu o debate sobre as condições de segurança no transporte fluvial e marítimo no país. As autoridades ainda não divulgaram previsão para o encerramento das buscas, que continuarão enquanto houver possibilidade de localizar sobreviventes ou recuperar os corpos das pessoas desaparecidas.







