
O Boi Caprichoso conquistou, nesta segunda-feira (29), o 27º título de sua história ao vencer o 59º Festival Folclórico de Parintins. Em uma apuração marcada pelo equilíbrio e pela disputa ponto a ponto com o Garantido, o boi azul e branco levou a melhor após três noites de apresentações no Bumbódromo, consolidando o espetáculo “O Brinquedo da Resistência” como o grande campeão da edição de 2026.
Na primeira noite, os dois bumbás empataram com 419,6 pontos. Já na segunda apresentação, o Caprichoso abriu vantagem ao somar 419,8 pontos, contra 419,5 do Garantido. Na terceira e decisiva noite, voltou a superar o rival ao alcançar 419,6 pontos, enquanto o boi vermelho obteve 419,2, fechando a disputa com 1.259,0 pontos, diante dos 1.258,3 do Garantido.
Desde a primeira noite, o Caprichoso apostou em uma apresentação marcada por grandes alegorias, efeitos cênicos e forte valorização da identidade amazônica e dos povos originários. A abertura do espetáculo impressionou pela riqueza visual e pela perfeita sintonia entre itens individuais, corpo artístico e a tradicional Marujada de Guerra, arrancando aplausos do público e dos jurados.
Um dos momentos mais marcantes foi a evolução da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, que utilizou efeitos de ilusionismo para simular um voo diante da arena, proporcionando um dos quadros mais aplaudidos da primeira noite.
A Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque também protagonizou uma entrada de grande impacto ao surgir da alegoria que representava a lenda amazônica “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”. Com uma performance intensa e marcada por movimentos vigorosos, a item reforçou a força feminina e a espiritualidade presentes no espetáculo.
Na segunda noite, o Caprichoso aprofundou a proposta de exaltar a Amazônia como território sagrado, destacando a importância da preservação ambiental, da cultura indígena e dos saberes tradicionais.
A lenda “Curupira – O Guardião da Vida” abriu a apresentação levando para a arena uma representação do personagem como protetor da floresta, dos animais e dos povos da mata. A encenação reforçou a mensagem de resistência diante das ameaças aos territórios amazônicos.
Ao som da toada “Trilha de Curupira”, Marciele Albuquerque voltou a se destacar ao representar a força da mulher indígena e sua ligação espiritual com a floresta, em uma das performances mais celebradas da segunda noite.
O espetáculo também homenageou os pescadores e pescadoras da Amazônia, exaltando comunidades que mantêm viva a cultura ribeirinha e os modos tradicionais de vida transmitidos entre gerações.
Na sequência, a exaltação cultural “Festa do Povo da Floresta” reuniu música, dança e elementos das manifestações populares amazônicas, valorizando a diversidade cultural da região.
O encerramento ficou por conta do Ritual de Transcendência Asurini – Maraká, inspirado na cosmologia do povo Asurini do Xingu. A apresentação simbolizou a conexão entre o mundo espiritual e o material, encerrando o espetáculo com uma mensagem de respeito aos conhecimentos ancestrais e à resistência dos povos indígenas.
Com apresentações tecnicamente consistentes, forte impacto visual e um enredo que destacou a riqueza cultural e ambiental da Amazônia, o Caprichoso convenceu os jurados e voltou a levantar o troféu do Festival Folclórico de Parintins, reafirmando sua tradição como um dos maiores protagonistas da maior manifestação cultural da região Norte.







