
Mais de quatro meses após a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, a família segue sem respostas oficiais sobre o que levou ao óbito da criança em Manaus. A principal cobrança dos pais, neste momento, é pela entrega do laudo do Instituto Médico Legal, considerado peça-chave para a conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas.
Em coletiva realizada nesta quinta-feira (2), os pais do menino, Joyce e Bruno Freitas, acompanhados da defesa, tornaram pública a insatisfação com a lentidão do caso. Segundo eles, o inquérito ainda não foi finalizado e sequer chegou ao Ministério Público do Amazonas, etapa necessária para que o processo avance à Justiça.
A Polícia Civil chegou a solicitar mais 45 dias para concluir as investigações, o que ampliou ainda mais a angústia da família. “São meses de espera por respostas, enquanto seguimos tentando lidar com uma perda irreparável”, relatou o pai, ao lembrar o impacto emocional enfrentado desde a morte do filho.
O caso ocorreu em novembro de 2025, após a criança dar entrada no Hospital Santa Júlia com sintomas considerados comuns, como tosse e inflamação na garganta. Durante o atendimento, no entanto, a administração de adrenalina diretamente na veia e uma sequência de procedimentos médicos passaram a ser questionados pela família como possíveis causas do desfecho fatal, que envolveu paradas cardíacas.
Um dos principais entraves para o avanço do caso está na perícia. De acordo com os advogados da família, o laudo necroscópico está sendo elaborado de forma indireta, com base em documentos médicos, como prontuários e registros hospitalares. Isso ocorreu porque o corpo da criança foi embalsamado antes de passar por exame no IML, o que inviabilizou a realização de uma necropsia convencional.
A defesa sustenta que essa condição torna o processo mais demorado, mas reforça que o laudo é fundamental para esclarecer as circunstâncias da morte e apontar eventuais responsabilidades.
Outro ponto levantado durante a coletiva foi a circulação de informações não oficiais sobre o caso. Os advogados afirmam que vazamentos e conteúdos distorcidos têm contribuído para confundir a opinião pública e podem prejudicar o andamento das investigações.
Enquanto aguardam a conclusão do inquérito, os pais de Benício reforçam o pedido por justiça e responsabilização. Para a família, a demora não apenas adia respostas, mas prolonga o sofrimento.
“Não queremos privilégio, queremos justiça. Que o que aconteceu com nosso filho seja esclarecido e que os responsáveis respondam”, disse a mãe, ao destacar que o luto permanece aberto diante da falta de conclusões sobre o caso.







