Edilson Rodrigues e Pedro França/Agência Senado

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, voltou a se reunir nesta sexta-feira (31) com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Javier Milei. Este foi o terceiro encontro entre os dois nesta semana para tratar da situação das relações bilaterais.

A reunião ocorreu pela manhã, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores informou que Vieira e Bitelli analisaram a “evolução do quadro das relações bilaterais entre Brasil e Argentina” desde que o embaixador foi chamado de volta ao país para consultas, mas não revelou detalhes sobre o conteúdo da conversa.

Bitelli retornou ao Brasil no domingo (26), após declarações do presidente argentino Javier Milei contra o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no sábado (25).

Até o momento, o governo brasileiro não definiu uma data para o retorno do embaixador a Buenos Aires. A avaliação interna é de que o diplomata deve permanecer no Brasil enquanto a crise diplomática não apresentar sinais de redução.

Segundo integrantes do governo, a permanência de Bitelli em Brasília representa uma forma de demonstrar insatisfação com as declarações feitas por Milei, mas sem interromper o diálogo diplomático entre os dois países.

A estratégia adotada pelo Itamaraty é evitar uma escalada na relação com a Argentina, considerada uma parceria estratégica para o Brasil nos setores político, econômico e comercial. A decisão sobre a volta do embaixador dependerá da evolução das conversas e do cenário entre os dois governos.

Por enquanto, o governo brasileiro não considera medidas mais rígidas contra a Argentina, como a declaração de Javier Milei como persona non grata. Segundo a avaliação diplomática, uma ação desse tipo só seria analisada caso ocorra uma nova escalada nas manifestações ou atitudes do governo argentino.

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